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Live shopping: o fundador do Whatnot explica por que o comércio ao vivo vai dominar o Ocidente

Grant LaFontaine · Co-fundador e CEO do Whatnot

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Grant LaFontaine, co-fundador do Whatnot (US$ 20 bi), explica como um marketplace de colecionáveis virou a maior plataforma de live shopping do Ocidente — e por que o comércio ao vivo, que já é 30% do varejo na China, ainda engatinha nos EUA.

·a16z (David George)·Entrevista: ·Publicado:

Quem é

Grant LaFontaine é co-fundador e CEO do Whatnot, a maior plataforma de live shopping do Ocidente, avaliada em US$ 20 bilhões. Começou vendendo cartas de Pokémon no eBay e construiu um marketplace que une colecionáveis, entretenimento e comércio ao vivo.

Destaques

  • Live commerce já é mais de um terço de todo o comércio na Ásia — e ainda é dígito único no Ocidente.
  • O Whatnot nasceu de um adolescente vendendo cartas de Pokémon no eBay — e percebendo que dava para ganhar dinheiro com isso.
  • Live shopping é entretenimento e descoberta, não só intenção de compra: o comprador não sabe o que quer até ver.
  • A confiança foi o obstáculo fundador: sem infraestrutura e sem trust, o live commerce parecia impossível — até não ser.
  • Marketplace é criação de negócio: cada seller na plataforma é um novo empreendedor que não existiria antes.

Em conversa com o General Partner David George, da a16z, o co-fundador e CEO do Whatnot, Grant LaFontaine, conta como um marketplace de colecionáveis virou uma das maiores plataformas de live shopping do mundo — avaliada em US$ 20 bilhões — e por que o comércio ao vivo, que já domina a Ásia, ainda engatinha no Ocidente.

Das cartas de Pokémon ao live commerce

A origem do Whatnot é uma história de infância: LaFontaine vendia cartas de Pokémon no eBay ainda adolescente.

eBay was getting started and I was like, 'Wait, you can make money from Pokémon cards? I love Pokémon cards and I can make money from doing it.' The first one sold for 10 bucks. That's probably the true origin story.

Décadas depois, essa intuição de colecionador virou tese: uma geração que cresceu no celular, com renda disponível, está redescobrindo o prazer de comprar coisas que ama — ao vivo.

O comércio ao vivo já venceu na Ásia

O dado que sustenta a aposta do Whatnot é a diferença entre Oriente e Ocidente.

Live commerce is over a third of all commerce in Asia. 30% live commerce in China. What is it in the US today? Single digits really. The experience is really broken.

Para LaFontaine, o Ocidente não adotou o live shopping porque a experiência ainda é quebrada: transações mal integradas, pagamentos e descoberta separados. O Whatnot nasceu para consertar exatamente isso.

Entretenimento, não só intenção

Uma das ideias centrais da conversa é que o live shopping inverte a lógica do e-commerce tradicional.

Shopping often starts with intent. How much of the idea is entertainment versus intent? — O comprador do live commerce não chega sabendo o que quer: ele descobre, se entretém e compra por impulso emocional.

É a diferença entre buscar um produto e assistir a um leilão ao vivo de uma carta rara — a emoção da descoberta é o produto.

Confiança: o obstáculo fundador

Quando o Whatnot começou, em 2019, o live commerce era visto como inviável no Ocidente. Faltava tudo — inclusive confiança.

There was no trust to do it. The infrastructure didn't exist but there was no trust either obviously. It's also pretty wild that there was enough trust that it worked.

A solução foi construir a infraestrutura do zero: pagamentos integrados, verificação de sellers, políticas de devolução — o que tornou o ao vivo seguro o suficiente para escalar.

Marketplace como fábrica de empreendedores

LaFontaine destaca o efeito mais subestimado de um marketplace: cada seller é um negócio que não existiria sem a plataforma.

By being a marketplace, you enable all this new business creation or business growth of existing businesses that otherwise would not exist.

Com oferta a custo zero e demanda puxada pela rede, o Whatnot virou uma máquina de novos empreendedores — o que explica o valuation de US$ 20 bilhões e a aposta da a16z.

Por que acompanhar

O live shopping é o próximo grande vetor do e-commerce ocidental — e o Whatnot é o laboratório onde ele está sendo testado. Entender como LaFontaine pensa o produto é entender para onde o comércio digital está indo.