A Alice, empresa especializada em segurança e proteção de sistemas de inteligência artificial, anunciou nesta terça-feira (25) uma rodada de US$ 140 milhões liderada pelos fundos Apax Digital. O aporte eleva para US$ 280 milhões o total captado pela companhia e será usado para ampliar tecnologias de testes, monitoramento e defesa de modelos de IA.

A rodada também teve participação de Samsung, SentinelOne, Maj Invest, MoreTech e Phoenix Insurance, além de investidores já presentes no negócio, como CRV, Highland Europe, Norwest Venture Partners, NFX e Grove Ventures. A Apax Digital passará a integrar o conselho da empresa.

A Alice afirma trabalhar atualmente com oito dos dez principais laboratórios de modelos de IA e estar próxima de alcançar US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR). Segundo a companhia, a receita de sua operação voltada à inteligência artificial cresceu mais de 500% nos últimos dois anos.

Segurança para modelos antes e depois do lançamento

A plataforma da Alice atua em diferentes etapas do desenvolvimento e da operação de sistemas de IA. Antes do lançamento dos modelos, pesquisadores da empresa simulam prompts maliciosos e tarefas executadas por agentes autônomos para identificar comportamentos inesperados e vulnerabilidades.

Entre os problemas avaliados estão ataques de jailbreak, usados para contornar restrições dos modelos, e prompt injection, técnica que tenta manipular sistemas de IA por meio de instruções inseridas nos dados processados.

A companhia cita trabalhos com laboratórios como Anthropic, Google e Cohere. Após a implantação dos modelos, a tecnologia também permite que empresas estabeleçam políticas próprias, simulem ataques e monitorem entradas e respostas para detectar riscos de vazamento de dados, descumprimento de regras e comportamentos indesejados.

A Alice mantém um laboratório com mais de 150 pesquisadores dedicados a estudar formas de manipulação, falhas e ataques contra sistemas de inteligência artificial. A empresa afirma ainda que sua tecnologia é usada na proteção de mais de 3 bilhões de pessoas em plataformas digitais.

Investimento será direcionado à plataforma e ao Rabbit Hole

Parte dos novos recursos será aplicada na expansão do Rabbit Hole, base proprietária que reúne informações sobre conteúdo adversarial e nocivo observado em ambientes digitais. A empresa utiliza esse histórico para identificar padrões que podem reaparecer em ataques contra sistemas de IA.

A Alice também pretende investir nas ferramentas que testam e monitoram modelos ao longo de seu ciclo de vida e ampliar sua estrutura comercial voltada a laboratórios de modelos fundamentais e empresas que estão incorporando inteligência artificial às operações.

Fundada em 2018 e anteriormente conhecida como ActiveFence, a Alice tem sede em Nova York e Tel Aviv. A companhia passou a direcionar a experiência acumulada no combate a fraudes, extremismo e manipulação coordenada em plataformas digitais para a segurança de modelos e agentes de IA.

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