A Aptos anunciou na segunda-feira (12) a ativação do Encrypted Mempool em sua rede principal. A funcionalidade permite ocultar o conteúdo de transações enquanto aguardam processamento, dificultando a atuação de robôs que exploram operações pendentes para executar estratégias de front-running e ataques sandwich.

A proteção é opcional e funciona diretamente no protocolo da blockchain, sem depender de intermediários externos. No entanto, a criptografia não oferece anonimato completo: determinadas informações permanecem acessíveis antes mesmo da confirmação da transação.

O mecanismo criptografa os dados no dispositivo do usuário antes do envio à rede. Os validadores definem a ordem das operações sem conhecer seu conteúdo e só realizam a descriptografia coletiva depois que o bloco é finalizado.

Essa sequência impede que participantes da rede consultem antecipadamente os detalhes de uma negociação para posicionar outras transações em função dela. A proteção, porém, não elimina todas as possibilidades de exploração relacionadas à ordenação de operações.

Endereço e taxas continuam visíveis antes da execução

A documentação da Aptos estabelece uma distinção importante: o endereço do remetente e os campos referentes à taxa de gas continuam visíveis enquanto a transação aguarda processamento.

A criptografia protege o payload, que inclui a função de contrato inteligente acionada e seus argumentos, como os parâmetros de uma negociação. Após a definição definitiva da ordem do bloco, essas informações são reveladas para permitir a execução e o registro público da operação.

O recurso também apresenta custos adicionais. Transações criptografadas exigem um preço mínimo de 200 octas por unidade de gas, equivalente ao dobro do mínimo básico da rede. Há ainda uma cobrança fixa de 375 unidades de gas para o processo de descriptografia.

Para desenvolvedores, a funcionalidade está disponível no SDK TypeScript da Aptos a partir da versão 7.0.0, sem necessidade de modificar contratos inteligentes existentes. A carteira Petra já oferece uma opção de criptografia durante a assinatura das transações.

A implementação utiliza os próprios validadores da Aptos para ordenar e descriptografar as operações, dispensando um comitê externo responsável pelo acesso aos dados.

Nos testes divulgados pelo projeto, realizados com 50 nós, o mecanismo acrescentou aproximadamente 20 milissegundos por bloco ao processamento. O resultado corresponde a um benchmark conduzido pelos desenvolvedores e não constitui uma medição independente do desempenho na rede principal.

Com a ativação, a proteção passa a estar disponível para aplicações e usuários compatíveis, mas seu uso depende da escolha de criptografar cada transação.

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