A inteligência artificial passou a dominar a produção de microdramas na China em uma escala que já começa a pressionar o setor. Mais de 90% dos 430 mil microdramas lançados no país entre janeiro e agosto de 2026 usaram IA, segundo a Administração Nacional de Rádio e Televisão da China. O volume foi 13 vezes maior que o registrado em todo o ano de 2025.
Ferramentas generativas reduziram custos e aceleraram etapas como roteiro, criação de personagens, geração de imagens e pós produção. Mas a expansão também aumentou a dificuldade de conquistar audiência em um mercado marcado pela multiplicação de produções visual e narrativamente semelhantes.
A China já soma mais de 800 milhões de usuários de microdramas, enquanto o setor movimentou mais de 100 bilhões de yuans, cerca de US$ 15 bilhões, em 2025.
Escala aumenta pressão por qualidade
A capacidade de produzir mais e mais rápido deixou de ser suficiente para garantir atenção. Com centenas de milhares de novos títulos chegando às plataformas, diferenciação narrativa e qualidade visual ganham peso na disputa pelo público.
O governo chinês também elevou a pressão sobre o setor. A autoridade de radiodifusão determinou a identificação de microdramas produzidos com IA e reforçou regras para proteção de direitos de imagem e voz.
Desde o início de 2026, autoridades retiraram das plataformas 68 mil microdramas considerados irregulares e adotaram medidas contra mais de 1.200 contas. Mais de 90% do conteúdo atingido pelas ações envolvia produções com IA.
O cenário mostra uma mudança de estágio no maior mercado de microdramas do mundo. Depois de transformar custo e velocidade de produção, a IA agora amplia outro desafio: criar conteúdo suficientemente distinto para evitar a fadiga do público.



