A Ethereum Foundation e o Open Anonymity Project lançaram na quinta-feira (1º) o zkAPI, sistema que permite pagar pelo uso de APIs sem vincular diretamente cada sessão à identidade ou ao depósito que a financiou. A infraestrutura já está disponível na mainnet do Ethereum e usa provas de conhecimento zero para autorizar o consumo de serviços.

O primeiro foco são APIs de inteligência artificial, nas quais normalmente uma chave de acesso está associada a uma conta e a um método de pagamento. Com o zkAPI, essa relação é dividida: o sistema responsável pela cobrança processa o pagamento, enquanto o provedor de IA recebe as solicitações, sem que nenhum dos dois tenha sozinho a ligação completa entre identidade, pagamento e uso.

O usuário deposita créditos, como ETH ou USDC, em um contrato no Ethereum. O saldo passa a ser representado por uma nota privada, e o software no dispositivo gera uma prova criptográfica para demonstrar que existem recursos suficientes para uma determinada sessão, sem indicar qual depósito está sendo utilizado.

Depois de verificar a prova, o servidor do zkAPI cria uma chave temporária com limite de gastos. As solicitações são enviadas ao provedor da API com essa chave e, ao final da sessão, o consumo registrado é descontado do saldo privado por meio de um recibo assinado. Uma única autorização pode cobrir várias chamadas.

Na arquitetura descrita pela Ethereum Foundation, o servidor de pagamento sabe que existe um pagamento válido e quanto foi gasto na sessão, mas não recebe o conteúdo das solicitações nem identifica o depósito utilizado. O provedor da IA, por sua vez, continua vendo prompts e respostas, mas não recebe a identidade de cobrança associada à chave.

Privacidade não cobre conteúdo e conexão

O lançamento não significa que toda interação com uma API se torne anônima. A própria Ethereum Foundation destaca que o provedor ainda pode observar o conteúdo recebido e que informações de rede, como o endereço IP, podem permitir correlações entre diferentes sessões.

O conteúdo também pode revelar padrões. Detalhes pessoais, estilo de escrita, histórico reutilizado e documentos enviados podem funcionar como identificadores, permitindo que o provedor relacione sessões que a camada de pagamento manteve separadas. O zkAPI, portanto, atua principalmente sobre a relação entre faturamento e utilização, e não sobre todas as formas possíveis de identificação do usuário.

Embora a inferência de IA seja o primeiro caso de uso, a mesma infraestrutura pode ser aplicada a serviços cobrados conforme o consumo, incluindo consultas a redes blockchain, geração de imagens e vídeos, VPNs e pagamentos automáticos entre máquinas ou agentes de IA.

O zkAPI implementa um modelo desenvolvido anteriormente por Davide Crapis, da Ethereum Foundation, e Vitalik Buterin. Além do contrato ativo na mainnet, o projeto disponibilizou cliente local, servidor, ferramentas para navegador e integração com aplicações compatíveis com APIs no padrão OpenAI.

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