O Google anunciou uma reorganização em sua liderança de inteligência artificial, com mudanças no comando do DeepMind e a saída de pesquisadores veteranos. As alterações foram divulgadas pela empresa na quarta-feira (5).
Demis Hassabis deixará as operações diárias do Google DeepMind para concentrar seu trabalho em inteligência artificial geral (AGI) e pesquisa. Koray Kavukcuoglu, atual diretor de tecnologia da divisão, assumirá a liderança operacional.
Hassabis continuará como presidente do Google DeepMind e passará a atuar também como cientista-chefe da Alphabet. Ele seguirá ainda à frente da Isomorphic Labs, empresa de descoberta de medicamentos ligada ao grupo.
Jeff Dean deixa Google após 27 anos
Outra mudança envolve Jeff Dean, um dos pesquisadores mais antigos do Google. Dean deixará a companhia após 27 anos e vai criar a Discovery Loop ao lado de Sanjay Ghemawat, Quoc Le e Oriol Vinyals.
A nova empresa pretende usar inteligência artificial para automatizar experimentos científicos e de engenharia em áreas como desenvolvimento de medicamentos, design de hardware, energia limpa e novos materiais.
Dean entrou no Google quando a empresa ainda estava em seus primeiros anos e se tornou uma das principais figuras de sua área de inteligência artificial.
Google diz que precisa acelerar desenvolvimento
Ao comentar as mudanças, o CEO Sundar Pichai afirmou que a companhia pretende continuar na fronteira do desenvolvimento de IA e reconheceu a necessidade de avançar com maior velocidade em áreas consideradas prioritárias.
Hassabis também afirmou que o grupo inicia uma nova etapa e que possui os recursos necessários para disputar a liderança no setor.
O The Verge ouviu ex-funcionários e pessoas ligadas à indústria que apontaram aumento da competição interna em torno dos produtos de inteligência artificial e pressão para acelerar lançamentos.
Uma fonte com conhecimento das operações de IA do Google afirmou ao veículo que a empresa buscava ampliar a presença de profissionais capazes de acelerar o desenvolvimento e a chegada de produtos ao mercado.
Contrato militar aparece entre possíveis pontos de tensão
O The Verge também relatou questionamentos sobre possíveis conflitos internos relacionados ao uso militar da inteligência artificial do Google.
A companhia firmou um acordo que permite ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos utilizar seus sistemas de IA para usos considerados legais pelo governo americano.
Jeff Dean havia se manifestado publicamente contra vigilância em massa e armas autônomas letais. Em 2018, ele e Hassabis também assinaram uma declaração contrária à delegação da decisão de tirar uma vida humana a sistemas automatizados.
Neste ano, Dean participou ainda de uma manifestação judicial em apoio à Anthropic após a disputa da empresa com o governo dos Estados Unidos sobre limites para aplicações militares de seus modelos.
As fontes ouvidas pelo The Verge levantaram a possibilidade de essas divergências terem contribuído para as mudanças, mas o material não apresenta confirmação do Google de que o contrato com o Departamento de Defesa tenha motivado a saída de Dean ou a alteração das funções de Hassabis.



