A startup de inteligência artificial Manus levantou mais de US$ 500 milhões em uma nova rodada de investimentos, meses depois de o governo chinês obrigar a Meta a desfazer sua aquisição por mais de US$ 2 bilhões. A operação, anunciada nesta quinta-feira (8), marca a primeira captação da empresa desde seu retorno à condição de companhia independente.

O financiamento foi liderado por Boyu Capital e IDG Capital, com participação de investidores anteriores, incluindo Tencent, HSG, antiga Sequoia China, e ZhenFund. A controladora Butterfly Effect confirmou a conclusão da rodada, mas não divulgou a nova avaliação de mercado da startup.

O aporte ocorre após uma intervenção regulatória que reverteu uma aquisição já concluída e obrigou os antigos acionistas a recomprar a empresa. A Manus, fundada na China e posteriormente transferida para Singapura, desenvolve agentes de IA capazes de executar pesquisas, automatizar processos e realizar tarefas com pouca intervenção humana.

Da aquisição pela Meta ao retorno como empresa independente

A Meta adquiriu a Manus em dezembro de 2025, em uma transação superior a US$ 2 bilhões destinada a fortalecer sua atuação em agentes de inteligência artificial.

Entretanto, em 27 de abril de 2026, o órgão chinês responsável pela revisão de segurança de investimentos estrangeiros determinou o cancelamento da operação. A decisão proibiu investimentos estrangeiros na Manus e exigiu que as partes revertessem a aquisição.

A medida atingiu a empresa mesmo após a transferência de suas operações para Singapura, evidenciando o alcance da fiscalização chinesa sobre transações envolvendo tecnologias e ativos desenvolvidos originalmente no país.

Para desfazer a compra, investidores anteriores, incluindo Tencent, HSG e ZhenFund, recompraram as participações detidas pela Meta. Em agosto, a Manus anunciou sua transição de volta às operações independentes, processo que também envolveu a exclusão de determinados dados de usuários para atender a exigências regulatórias.

A nova rodada ocorre enquanto a empresa amplia sua oferta de agentes de IA. Recentemente, lançou uma atualização de sua plataforma principal e apresentou o Cue, aplicativo voltado à criação de assistentes pessoais autônomos.

O próximo movimento financeiro poderá ser uma abertura de capital em Hong Kong. Segundo a Reuters, que ouviu uma fonte familiarizada com os planos, o processo de IPO não deverá começar antes de 2027.

Embora a empresa não tenha revelado sua avaliação após o investimento, reportagens de setembro apontavam negociações em torno de US$ 4 bilhões, aproximadamente o dobro do valor envolvido na aquisição pela Meta. Esse patamar ainda não foi confirmado oficialmente.

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