A Meta anunciou nesta segunda-feira o lançamento do modelo de inteligência artificial Muse Glimmer, um sistema de pesos abertos projetado para executar agentes de IA localmente em hardware de consumo, como computadores com uma GPU comum. A iniciativa é a materialização mais clara até agora da visão do presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, de uma 'superinteligência pessoal'.
O modelo tem 30 bilhões de parâmetros e é uma versão aberta do Muse Spark, o modelo fechado mais avançado da Meta, apresentado em abril. A empresa disponibilizou os pesos do Glimmer sob licença Apache 2.0, o que permite a desenvolvedores baixá-los e modificá-los.
Segundo a Meta, o Glimmer executa tarefas de múltiplas etapas, como chamar ferramentas, escrever e depurar código, trabalhar com arquivos e capturas de tela e realizar fluxos de trabalho estendidos. O modelo processa texto e imagens, e a companhia o treinou em mais de 100 idiomas.
Privacidade e aplicações
A Meta planeja usar o Glimmer em tarefas como gerenciamento de agendas, elaboração de mensagens e organização de arquivos, atividades que exigem grande acesso a dados pessoais. Ao processar as informações no dispositivo do usuário, em vez de enviá-las para a nuvem, a empresa busca criar um agente pessoal mais sensível à privacidade. O modelo opera de forma contínua, com ou sem conexão com a internet.
Visão de Zuckerberg
Em uma carta divulgada na segunda-feira, Zuckerberg reiterou a defesa de que a superinteligência deve ser distribuída amplamente para empoderar indivíduos, em vez de permanecer concentrada nas mãos de poucas empresas. Ele afirmou que essa distribuição pode iniciar uma nova era de empoderamento pessoal, na qual as pessoas usariam a capacidade para alcançar seu pleno potencial, buscar interesses e melhorar suas vidas e o mundo.
Na carta, o executivo listou benefícios, incluindo um agente pessoal que trabalha 24 horas por dia para melhorar relacionamentos, saúde, carreira, finanças, administração doméstica e hobbies, além de ferramentas para criar novos negócios ou avançar a ciência. Ele prometeu que todos terão acesso gratuito ou acessível a essas ferramentas.
Modelos abertos e fechados
O lançamento ocorre em meio à estratégia da Meta de distinguir entre modelos que serão abertos e os que permanecerão sob controle da companhia. O Muse Spark, modelo mais potente, segue com pesos fechados, enquanto o Glimmer, menor, pode ser baixado, ajustado e executado no hardware do usuário. Assim, o Glimmer oferece uma indicação inicial de onde a Meta pode traçar a linha entre a IA que as pessoas podem possuir e a inteligência mais poderosa que permanece sob controle da empresa.


