Bancos e gestoras de Wall Street passaram a incluir a oposição de comunidades locais na avaliação de risco de crédito para financiamento de data centers, de acordo com relatório da agência Reuters divulgado nesta segunda-feira (10). A mudança ocorre em meio ao aumento de protestos e disputas de licenciamento que elevam o risco de atrasos ou cancelamentos dos empreendimentos.

Pelo menos 75 projetos de data centers, avaliados em cerca de US$ 130 bilhões, enfrentaram oposição local no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Data Center Watch. No mês passado, o Goldman Sachs estimou que mais de US$ 5 trilhões serão investidos em infraestrutura de IA até 2030.

Os bancos já avaliam riscos técnicos, ambientais, de zoneamento, seguros e financeiros. Agora, incorporam à análise as preocupações das comunidades com custos de eletricidade, uso de água, ruído e tamanho das instalações. "Prontidão significa todas as licenças e aprovações necessárias e o apoio da comunidade que viverá ao redor", afirmou Karen Fang, diretora de infraestrutura do Bank of America.

Oposição cresce nos EUA

Em 2026, quase 40 prisões foram relacionadas a protestos contra data centers. Em julho, manifestantes realizaram 142 atos em 42 estados, citando consumo de energia e água, ruído, subsídios e o impacto das grandes instalações nas comunidades.

A pressão também chegou aos legislativos estaduais: ao menos 15 estados consideram moratórias para a construção de data centers, segundo relatório da Brookings Institution de julho. Para a instituição, porém, interromper as obras não é solução de longo prazo. "Esses projetos de lei representariam uma ameaça à economia digital se redigidos de forma muito ampla e poderiam criar problemas financeiros enormes para várias empresas", escreveu a Brookings. "Os legisladores deveriam resistir ao impulso de parar a tecnologia e focar em salvaguardas e restrições responsáveis que protejam princípios amplamente compartilhados."

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