Criado após a Ubisoft desligar os servidores do jogo de corrida The Crew, o movimento Stop Killing Games enfrenta obstáculos jurídicos que colocam em dúvida sua capacidade de provocar mudanças legislativas duradouras, na avaliação de especialistas em direito digital.

A mobilização, que recebeu amplo apoio da comunidade e ganhou impulso com a iniciativa "Hora de processar a Sony", esbarra na diferença entre as expectativas dos consumidores e a realidade legal e tecnológica.

Visão de especialista

A pesquisadora Celia Pontin, especialista em políticas de videogames da consultoria Flux Digital Policy, afirma que as exigências dos participantes podem ser juridicamente impossíveis de atender.

Os organizadores sustentam que um produto comprado não deveria "se autodestruir" quando a editora decide encerrar os servidores. No entanto, advogados apontam que os termos de serviço e a legislação vigente dão às empresas liberdade para decidir o ciclo de vida dos jogos on-line, tratando a compra digital como uma licença temporária de acesso, e não como a aquisição de um bem.

Pontin ressalta que os jogos modernos são uma complexa rede de direitos autorais interligados, envolvendo código-fonte, trilhas sonoras, vozes de atores e elementos gráficos. Por isso, a transferência de jogos descontinuados para a comunidade ou a permissão de servidores privados enfrentaria enormes barreiras legais, que só seriam superadas com uma revolução sem precedentes na legislação de propriedade intelectual.

Embora instituições da União Europeia e legisladores discutam o problema do fim de serviços digitais, a resistência das editoras europeias e a rigidez das leis tornam improvável uma vitória completa dos jogadores.

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