A Unity informou que a receita do segundo trimestre de 2026 subiu 24% na comparação anual, para US$ 546 milhões, impulsionada pela divisão de publicidade com inteligência artificial Vector AI. O presidente-executivo, Matthew Bromberg, classificou o período como o "melhor trimestre da história" da empresa.
O desempenho ocorre após anos de reorganização na esteira da repercussão negativa da proposta de "Runtime Fee" em 2023. A receita da divisão Grow, responsável por publicidade, cresceu 69% na base anual, enquanto a divisão de motor de jogos Create avançou 2%. A companhia ainda registrou prejuízo líquido de US$ 23 milhões, uma melhora de 73% ante a perda de US$ 108 milhões no segundo trimestre de 2025.
O resultado valida a previsão feita por Bromberg em agosto de 2025, quando a Vector AI levou a Unity a superar expectativas. Na ocasião, o executivo chamou o momento de "ponto de inflexão". Após a divulgação do balanço, as ações da empresa subiram 20%, para US$ 42, depois de passarem a maior parte de 2026 cotadas em torno de US$ 35.
Ecossistema e IA
Em teleconferência com investidores, Bromberg pediu que a companhia fosse avaliada como um ecossistema completo. Ele descreveu um ciclo virtuoso em que mais desenvolvedores usam o motor e a rede de anúncios, mais jogadores consomem os jogos e mais dados a IA usa para recomendar títulos. O executivo também disse que a expansão da IA generativa tende a aumentar o número de pessoas criando jogos, que podem se tornar clientes da Unity.
Entre os próximos passos está o lançamento do Unity 7, que trará um recurso de "ecossistema colaborativo" para que desenvolvedores façam atualizações rápidas sem abrir o motor completo. A nova versão usará a mesma arquitetura do Unity 6, o que deve preservar a compatibilidade com projetos existentes.
O setor, porém, segue dividido em relação à IA generativa. A Godot Foundation proibiu contribuições feitas por IA ao motor, enquanto a Epic Games, principal concorrente, aposta em programação assistida por IA na próxima grande atualização.


