A Zcash se prepara para reduzir de 75 para 25 segundos o intervalo entre blocos de sua blockchain, mas a mesma atualização poderá impedir a movimentação de criptomoedas armazenadas em um protocolo antigo da rede. A mudança faz parte da NU7, prevista para novembro de 2026, e avançou após desenvolvedores definirem, em 20 de outubro, um bloco de referência para sua ativação.

A proposta estabelece o bloco 3.543.405, com ativação estimada para 5 de novembro. A definição foi acertada em uma reunião dos responsáveis pelas propostas técnicas da Zcash, segundo informações publicadas pelo CoinDesk em 21 de outubro. Entretanto, o número ainda precisava ser incorporado à especificação oficial ZIP 259 e às versões dos programas responsáveis pela operação da rede.

A redução do intervalo entre blocos pretende acelerar as confirmações de transações. Em condições próximas à meta estabelecida, três confirmações poderiam ocorrer em aproximadamente 75 segundos, contra 225 segundos anteriormente. Isso não significa, porém, que todas as transferências terão seu processamento concluído nesse prazo.

A NU7 também prevê limites para operações protegidas por criptografia e mudanças na distribuição das taxas. Uma delas determina que 60% das taxas de transação sejam retirados temporariamente de circulação, dentro de um mecanismo que prevê sua reintrodução futura sem ampliar o limite máximo de emissão de ZEC.

Por que fundos armazenados no protocolo Sprout podem ficar inacessíveis

A consequência mais delicada da atualização envolve o Sprout, sistema original de transações privadas da Zcash, posteriormente sucedido pelos protocolos Sapling e Orchard.

A especificação ZIP 2003 determina que transações da versão 4 deixem de ser aceitas após a ativação da NU7. Como o Sprout depende exclusivamente desse formato para movimentar fundos, os saldos que permanecerem nele não poderão ser gastos sob as novas regras.

A restrição não afeta apenas operações envolvendo Sprout. Qualquer serviço que ainda produza transações da versão 4 precisará adotar formatos compatíveis. As versões 5 e 6 continuarão disponíveis, embora transações preparadas antes da atualização também exijam verificações de compatibilidade.

O documento técnico apresenta uma distinção importante: os fundos mantidos no Sprout não serão automaticamente queimados ou eliminados da oferta de ZEC. Eles permanecerão registrados na blockchain, mas sem um mecanismo válido para movimentação após a mudança.

A recuperação desses valores dependeria de uma futura alteração nas regras de consenso, seja para restaurar a compatibilidade com transações antigas, seja para criar outro procedimento de transferência. A documentação ressalta que essa possibilidade não é garantida.

Existe ainda uma dificuldade anterior à própria atualização. O encerramento do desenvolvimento do software zcashd retirou de manutenção a funcionalidade de carteira que oferecia suporte ao Sprout. Portanto, mesmo antes da NU7, recuperar e transferir fundos antigos pode exigir soluções técnicas que não estão disponíveis nas carteiras atuais.

Para detentores de ZEC, a distinção essencial está no protocolo utilizado para armazenar os ativos. A desativação do Sprout não significa o bloqueio generalizado das moedas Zcash, mas cria uma restrição específica para saldos e operações dependentes de tecnologia antiga.

A atualização já passou por ativação na rede de testes em outubro. Sua implantação na rede principal permanece prevista para novembro, sujeita à finalização das especificações e à adoção de software compatível pelos operadores dos nós.

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