Associações bancárias de 39 estados dos Estados Unidos formaram a BankChain Alliance para desenvolver uma infraestrutura blockchain compartilhada por instituições financeiras do país. O grupo anunciou a iniciativa na terça-feira (25) e pretende colocar a rede em operação em 2027.
A plataforma deverá permitir que bancos ofereçam serviços como depósitos tokenizados, stablecoins, pagamentos programáveis e liquidação automatizada. A aliança afirma que a rede será controlada pelo próprio setor bancário e projetada para operar de forma interoperável com outras redes blockchain.
As associações participantes representam milhares de instituições financeiras que atendem consumidores e empresas nos Estados Unidos. Bancos de diferentes regiões do país poderão ser convidados a adquirir participação na infraestrutura.
A BankChain Alliance ainda está escolhendo o parceiro tecnológico responsável por apoiar o desenvolvimento da plataforma. O comunicado não identifica bancos que já tenham confirmado participação individual nem detalha o modelo de financiamento ou a estrutura de governança que será adotada.
Kathy Kraninger, presidente interina da BankChain Alliance e presidente e CEO da Florida Bankers Association, afirmou que a proposta é permitir que instituições de diferentes portes desenvolvam em conjunto uma infraestrutura própria para serviços financeiros digitais.
A iniciativa surge em meio a um movimento mais amplo de bancos americanos para levar depósitos e pagamentos para infraestruturas baseadas em blockchain, mantendo as operações dentro do sistema bancário regulado.
Bancos avançam com depósitos tokenizados
Em junho, a The Clearing House anunciou uma iniciativa separada para permitir a compensação e liquidação de depósitos tokenizados entre bancos e conectar transações realizadas em blockchain a redes tradicionais de pagamentos.
O projeto recebeu apoio de instituições como JPMorgan Chase, Bank of America, BNY, Citi e Wells Fargo. A proposta inclui liquidação disponível 24 horas por dia, pagamentos programáveis e integração com sistemas como RTP e CHIPS.
Depósitos tokenizados representam digitalmente valores mantidos em uma instituição financeira. Diferentemente de stablecoins emitidas por empresas independentes, eles permanecem vinculados ao dinheiro bancário comercial e ao balanço do banco emissor.
Instituições regionais também avançam nessa direção. A Cari informou em julho que sua rede de depósitos tokenizados já reunia mais de 30 bancos, além de outras 40 instituições em discussões para participar. A empresa prepara um piloto com seis bancos parceiros.
Bancos comunitários criaram ainda o DTX Consortium, iniciativa ligada à Independent Bankers Association of Texas. Em junho, a associação informou que o grupo já havia superado 50 bancos participantes e defendia uma infraestrutura interoperável para depósitos tokenizados.
A BankChain Alliance amplia esse movimento ao reunir associações estaduais em uma única estrutura nacional. A lista divulgada inclui entidades de estados como Flórida, Texas, Nova Jersey, Pensilvânia, Washington e Wisconsin, com lançamento da rede previsto para 2027.



