A BNB Smart Chain (BSC) planeja adotar a proposta BEP-675, uma atualização na construção de blocos que pode quase dobrar o throughput da rede sem elevar o limite de gás nem reduzir o intervalo de 450 ms entre blocos.
O problema atual é que builders e validadores executam o mesmo bloco duas vezes antes de ele ser selado. No sistema SendBid, os builders montam e executam blocos e enviam propostas aos validadores, que reexecutam todas as transações para verificação antes de assinar. Esse trabalho redundante consome parte da janela de produção disponível.
A BEP-675 muda o processo ao permitir que builders enviem blocos totalmente executados por meio do SendBidBlock. Os validadores passam a assinar, transmitir e comparar os blocos com as regras de consenso; a verificação completa fica para depois. De acordo com testes da BSC, a carga sobre o validador no caminho crítico cai de 125 ms para 15 ms, liberando 100 ms extras para que builders empacotem mais transações.
Testes
Na rede QANet, testnet interna que replica a topologia de validadores entre regiões da BSC, o throughput subiu 88%, de 1.237 TPS para 2.324 TPS, com o mesmo intervalo de 450 ms e limite de 100 milhões de gás. A utilização média de gás por bloco passou de 46,35 milhões para 84,15 milhões, e a mediana subiu de 29,49 milhões para 98,99 milhões.
O ganho de throughput não aumentou a latência de finalidade: o indicador P99 permaneceu em um ou dois blocos nas duas configurações. A melhoria, portanto, vem do maior aproveitamento da capacidade atual, não da expansão dos limites teóricos da rede.
Sem a BEP-675, cerca de 25% dos blocos chegavam quase vazios porque os builders esgotavam o tempo para empacotar transações. Com a proposta, a maioria dos blocos testados conseguiu se aproximar do teto de gás.
Adoção
A implementação da BEP-675 exige que builders operem nós completos (full nodes) em vez de fastnodes e torna mais complexa a gestão de múltiplas ofertas concorrentes. Lances antigos (legacy bids) continuarão suportados, e não há mudanças significativas de interface para usuários comuns da BSC. A proposta integra o roteiro de escalabilidade da rede para o segundo semestre de 2026, ao lado de FOCIL e Block-Level Access Lists.


