As casas de apostas autorizadas pelo governo federal movimentaram R$ 220,6 bilhões em 2025, primeiro ano completo do mercado regulado no Brasil. Desse total, R$ 36,9 bilhões ficaram como receita bruta de jogos (GGR) das operadoras, segundo dados preliminares do Ministério da Fazenda obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
O GGR correspondeu a 16,7% do volume movimentado, enquanto R$ 183,7 bilhões foram destinados ao pagamento de prêmios e bônus sacáveis. O montante de R$ 220,6 bilhões também inclui valores que retornaram às plataformas em novas apostas durante a jornada dos usuários, e não apenas depósitos de dinheiro novo.
Os números são acompanhados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) e ainda podem ser revisados durante o processo de conferência e consolidação.
O mercado regulado de apostas de quota fixa entrou oficialmente em operação nacional em 1º de janeiro de 2025, quando as empresas autorizadas passaram a utilizar sites com domínio .bet.br.
Estimativa via Pix chega a R$ 350,97 bilhões
Os números da Fazenda contrastam com levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), que estimou em R$ 350,97 bilhões o volume de transferências via Pix associado às apostas em 2025.
O estudo calculou ainda uma transferência líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias para o setor no período.
A diferença de aproximadamente R$ 130,4 bilhões em relação aos R$ 220,6 bilhões registrados pela Fazenda, porém, não pode ser interpretada diretamente como dinheiro destinado às bets ilegais.
Os levantamentos utilizam metodologias diferentes. A Fazenda trabalha com informações reportadas pelas empresas autorizadas ao Sigap. Já o Comsefaz partiu de dados agregados do Banco Central e estimou quanto das transferências para empresas classificadas nos segmentos de artes, cultura, esporte e recreação poderia estar relacionado às apostas.
Mercado ilegal dificulta comparação
Um levantamento da LCA Consultoria Econômica, com dados do Instituto Locomotiva e apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estimou em 2025 que entre 41% e 51% do mercado brasileiro de apostas operava fora do ambiente regulado.
A pesquisa, no entanto, não representa uma medição direta das operações clandestinas pelo governo e, por isso, não permite atribuir automaticamente a diferença entre Fazenda e Comsefaz às plataformas ilegais.
Em uma atualização divulgada em agosto de 2026, a estimativa de participação do mercado clandestino caiu para 38% a 44%, ainda em nível considerado elevado pelo levantamento.
ANJL contesta cálculo do Comsefaz
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou a metodologia utilizada pelo Comsefaz e rejeitou a interpretação de que os R$ 62,5 bilhões representariam exclusivamente perdas dos brasileiros com bets.
Segundo a entidade, os dados analisados abrangem transferências para empresas de quatro segmentos econômicos — artes, cultura, esporte e recreação — que incluem outras atividades além das apostas.
A associação também questionou o período analisado e afirmou que fatores como o aumento da bancarização e a expansão do Pix para diferentes tipos de pagamentos podem ter influenciado os resultados.
Outubro concentrou maior atividade
Outubro foi o mês de maior movimentação nas plataformas autorizadas em 2025. O período coincidiu com a reta final do Campeonato Brasileiro e com fases decisivas da Libertadores e da Copa Sul-Americana.
Em média, 9,25 milhões de pessoas apostaram por mês, com pico de 10,82 milhões em outubro. Ao longo do ano, aproximadamente 25 milhões de brasileiros fizeram apostas nas plataformas reguladas.
Os números mostram a escala alcançada pelo mercado brasileiro apenas um ano após o início da regulamentação, mas também evidenciam a dificuldade de mensurar com precisão quanto dinheiro ainda circula fora das plataformas autorizadas.


