A Binance afirmou ter recomposto 95% dos ativos afetados pelo ataque de US$ 6,3 bilhões sofrido em 29 de outubro, enquanto a Coreia do Norte rejeitou nesta terça-feira (3) as acusações dos Estados Unidos de que hackers ligados ao regime seriam responsáveis pelo roubo. A corretora também informou que o movimento de retirada de recursos de clientes começou a se normalizar após a retomada gradual dos saques.
A reação norte-coreana veio por meio de Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e integrante da direção do Partido dos Trabalhadores. Em declaração divulgada pela agência estatal KCNA, ela classificou a acusação americana como uma "grave provocação política" e afirmou que Washington tenta responsabilizar Pyongyang por crimes cibernéticos cometidos em diferentes partes do mundo.
O FBI atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, associado pelas autoridades americanas à Coreia do Norte. Em comunicado de 31 de outubro, a agência informou ter identificado a conversão de ativos roubados principalmente em Ether (ETH) e alertou para possíveis operações adicionais de lavagem por meio de serviços de finanças descentralizadas.
O incidente é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado, superando o ataque de aproximadamente US$ 1,5 bilhão à Bybit em 2025, também atribuído por investigadores americanos a hackers norte-coreanos.
Binance repõe ativos com recursos próprios, mas recuperação ainda está incompleta
Os 95% anunciados não representam dinheiro roubado que foi recuperado dos invasores. A Binance utilizou recursos próprios para adquirir ativos equivalentes aos perdidos, assumindo o compromisso de absorver integralmente o prejuízo sem transferi-lo aos usuários.
Segundo a empresa, os 5% restantes correspondem a tokens de menor liquidez, cuja aquisição em grandes quantidades exige mais tempo. A corretora declarou que os saldos de dez criptomoedas, incluindo Bitcoin, Ether, BNB, Solana e XRP, já contam com cobertura integral.
Em 2 de novembro, a Binance também anunciou a conclusão de uma prova criptográfica de reservas baseada em conhecimento zero (zero-knowledge proof), que permite aos usuários verificar a cobertura mínima de 1:1 dos saldos dessas dez criptomoedas. A verificação não equivale à recuperação dos recursos desviados.
A invasão provocou uma corrida inicial por retiradas. Segundo a Reuters, os saques líquidos de clientes somavam US$ 4,72 bilhões até segunda-feira (2). Durante um evento em Hong Kong nesta terça-feira, o co-CEO Richard Teng afirmou que o fluxo havia praticamente voltado à normalidade e que a empresa permanecia em sólida condição financeira.
A Binance retomou os saques em etapas a partir de 1º de novembro e ampliou o atendimento a novas redes e criptomoedas nesta terça-feira. A empresa pretende realizar uma nova atualização de suas reservas em 4 de novembro, enquanto continua trabalhando com autoridades e parceiros do setor para rastrear os fundos roubados.



