Uma investigação da empresa de análise blockchain Elliptic identificou aproximadamente 12 mil carteiras digitais e mais de 40 mil transações relacionadas à movimentação de criptomoedas roubadas da Binance. Os recursos passaram por 11 blockchains em menos de quatro dias após o ataque de 29 de outubro, que resultou no desaparecimento de cerca de US$ 6,43 bilhões em ativos digitais.
O relatório, publicado nesta segunda-feira (2), revela que US$ 2,85 bilhões foram congelados ou apreendidos, o equivalente a aproximadamente 44% do valor roubado. Outros US$ 3,24 bilhões permaneciam em endereços associados ao ataque, principalmente em bitcoin (BTC) e ether (ETH). Segundo a Elliptic, apenas uma parcela insignificante provavelmente havia sido convertida em dinheiro.
A maior parte da movimentação ocorreu na rede Tron, onde os responsáveis distribuíram os recursos entre aproximadamente 7.700 endereços. As operações envolveram transferências entre blockchains, trocas de criptomoedas em plataformas descentralizadas e mecanismos que dificultam a identificação da origem dos ativos.
Em 2 de novembro, os pesquisadores também identificaram uma nova movimentação: 233 milhões de XRP foram transferidos para seis endereços diferentes, após permanecerem parados desde o roubo.
O FBI atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte, em um comunicado divulgado em 31 de outubro. A Elliptic ressalta, porém, que a análise das blockchains permite acompanhar os ativos, mas não identificar diretamente quem controla cada carteira.
Rastreamento não encontrou evidências de decisões tomadas por agentes de IA
A velocidade das transferências levantou suspeitas sobre o possível uso de agentes de inteligência artificial para coordenar a movimentação dos recursos.
Entretanto, os pesquisadores encontraram padrões compatíveis com programas automatizados convencionais, incluindo transferências em intervalos regulares, valores predefinidos e repetição de operações que falharam.
"A lavagem é claramente automatizada, mas nada do que vimos demonstra um agente de IA tomando decisões", escreveu Tom Robinson, pesquisador responsável pelo relatório da Elliptic.
Na rede Tron, foram registradas aproximadamente 32 mil transações, com picos de 1.300 operações por hora. Para os investigadores, a intensidade da atividade demonstra o uso de automação, mas não comprova autonomia decisória baseada em inteligência artificial.
A empresa também identificou o uso de mecanismos de mistura de bitcoin para dificultar o rastreamento. Até a manhã de 2 de novembro, aproximadamente 28 BTC, avaliados em US$ 2,2 milhões, haviam passado por essas operações.
A Elliptic continua acompanhando os endereços associados ao ataque. Os valores congelados permanecem distintos dos recursos efetivamente recuperados, enquanto a maior parte dos ativos ainda rastreados não havia sido convertida em dinheiro.



