A exchange de criptomoedas Bybit ajuizou ação civil na Justiça Federal dos EUA contra a Coreia do Norte, o Reconnaissance General Bureau e o grupo de hackers Lazarus pelo roubo de US$ 1,5 bilhão em tokens Ethereum em 2025. A petição, protocolada sob sigilo em 18 de junho de 2026 na Corte Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia, tornou-se pública nesta semana.

O processo aponta os réus como responsáveis pela invasão que desviou mais de 400 mil Ethereum no dia 21 de fevereiro de 2025. O ataque ocorreu durante uma transferência de rotina de uma das carteiras de armazenamento offline da corretora.

Segundo a investigação, os hackers comprometeram o computador de um desenvolvedor da Safe{Wallet}, protocolo de assinatura múltipla usado pela Bybit. Um código malicioso, ativado quando o endereço da carteira da exchange aparecia, alterou a transação e instalou uma porta dos fundos, drenando os ativos em poucos minutos.

Resposta e rastreamento

A Bybit afirma que cobriu mais de US$ 4 bilhões em pedidos de saque de clientes sem congelar contas, medida para preservar a confiança na exchange durante a crise. A empresa também pagou US$ 2,3 milhões em recompensas a investigadores que ajudaram a rastrear os fundos.

De acordo com a corretora, cerca de 90% do valor roubado se tornou impossível de rastrear após os criminosos converterem o Ethereum em bitcoin e distribuírem os recursos por milhares de carteiras, com uso de misturadores, pontes entre blockchains e plataformas não regulamentadas.

Contexto de ataques

O caso não é isolado. A Chainalysis, empresa de análise de blockchain, estima que hackers norte-coreanos roubaram cerca de US$ 2,02 bilhões em criptomoedas em 2025, alta de 51% ante o ano anterior. Pesquisadores apontam que o regime acumula US$ 6,75 bilhões em ativos digitais roubados, recursos que autoridades dos EUA dizem financiar programas de armamento.

O grupo Lazarus já atacou plataformas de criptomoedas, incluindo o roubo de US$ 620 milhões da ponte Ronin e US$ 100 milhões da Harmony, ambos em 2022. A ação da Bybit alega que esses incidentes configuram padrão de crime organizado e usa a Lei RICO, além da Lei de Fraude e Abuso de Computador e da Alien Tort Statute.

Medidas judiciais

A Bybit pede a devolução dos ativos roubados, cerca de US$ 1,5 bilhão em danos, além de indenização punitiva. A Justiça já determinou medidas cautelares: em 19 de junho, um juiz ordenou a suspensão temporária da transferência de ativos rastreáveis; em 30 de julho, concedeu parcialmente liminar congelando recursos de réus não identificados ligados ao esquema.

Até agora, a exchange recuperou aproximadamente US$ 48,4 milhões e congelou outros US$ 30,5 milhões em mais de 28 exchanges e custodiantes. A parceria com investigadores também ajudou autoridades alemãs a fechar a exchange eXch e uma operação conjunta entre Alemanha e Suíça a derrubar o misturador Cryptomixer.io, segundo a empresa.

Zhou, representante da Bybit, classificou o ataque como “um ataque à confiança em nosso setor” e afirmou que a empresa seguirá com o caso ao lado das autoridades.

Especialistas jurídicos acompanham como a corte tratará as alegações contra um governo soberano, já que cobrar diretamente da Coreia do Norte é considerado improvável. O efeito imediato pode vir do congelamento de ativos e da fase de descoberta de provas, o que pode pressionar intermediários que detêm recursos roubados a devolvê-los.

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