A plataforma de análise onchain Santiment divulgou que o bitcoin registrou nesta semana a maior criação de novas carteiras em um ano e o maior número de carteiras ativas em dez meses, em movimento atribuído à repercussão do bug de firmware das carteiras físicas Coldcard, da Coinkite.
Foram 2,27 milhões de novas carteiras na semana. As carteiras ativas ficaram em 751 mil por dia na primeira semana de agosto, contra média de 610 mil em julho, depois de atingir pico de 978 mil em 31 de julho, cerca de 1,6 vez a média diária do mês.
O avanço, no entanto, não foi acompanhado por aumento nas transferências para exchanges. As entradas diárias nesses ambientes somaram US$ 1,55 bilhão no período, ligeiramente abaixo da média de US$ 1,67 bilhão de julho. Para a plataforma, a divergência indica comportamento defensivo, com usuários movendo fundos e criando carteiras sem necessariamente comprar bitcoin.
Falha na Coldcard
A origem do movimento é uma vulnerabilidade nas carteiras de hardware da Coinkite. Um bug presente nas versões 4.0.1 a 4.1.9, desde março de 2021, fez a geração da frase-semente utilizar um gerador de números aleatórios por software em vez do chip de entropia dedicado. Nas unidades Mk3 mais afetadas, a aleatoriedade real ficou em cerca de 40 bits, contra 128 bits esperados; em alguns modelos posteriores, o nível chegou a 72 bits.
O Bitcoin.com News levantou perdas de mais de US$ 116 milhões, com uma quarta onda de roubos ainda em andamento dias após a divulgação inicial. A Coinkite enviou uma correção de firmware e publicou um comunicado detalhando a entropia gerada pelos aparelhos. Em uma auditoria de emergência, pesquisadores independentes encontraram quase 5 mil vulnerabilidades em centenas de projetos ligados ao bitcoin em pouco mais de um dia de testes.
Dados geográficos de carteiras atingidas indicam que usuários canadenses concentram cerca de um quarto das perdas, o que pode refletir a base inicial de clientes da Coinkite no país. Especialistas ressaltam que o problema não está no protocolo do bitcoin, mas na cadeia de suprimento da autocustódia, por se tratar de uma falha específica de firmware de um fabricante.



