A Federal Trade Commission (FTC) acusou a Digital Forensics Corporation de obter pelo menos US$ 60 milhões de pessoas que buscavam proteção contra extorsão envolvendo imagens íntimas. A ação, divulgada na terça-feira (13), afirma que a empresa cobrava milhares de dólares por investigações e serviços de segurança que frequentemente não eram realizados conforme prometido.
Um tribunal federal de Ohio determinou a suspensão temporária das atividades da empresa e de seu proprietário, Dmitry Belkin, enquanto o caso é analisado. A acusação também envolve diversas companhias associadas à operação.
A Digital Forensics atraía clientes por anúncios no Google, YouTube e X, apresentando-se como especialista em identificar criminosos, impedir a divulgação de imagens íntimas e fornecer provas às autoridades. Segundo a FTC, a empresa explorava o medo de pessoas ameaçadas de exposição pública para convencê-las a contratar serviços de alto custo.
Os pacotes iniciais custavam entre US$ 1.499 e US$ 20 mil, distribuídos em cinco categorias com diferentes prazos de atendimento. Documentos judiciais mostram que a recomendação comercial padrão era o plano de US$ 4.999, independentemente das circunstâncias individuais da vítima.
FTC aponta relatórios fictícios, pressão psicológica e avaliações manipuladas
A investigação descreve uma diferença entre os serviços anunciados e os procedimentos efetivamente realizados. A empresa prometia rastrear a localização dos extorsionários, assumir a comunicação com os criminosos, produzir relatórios detalhados e encaminhar denúncias à polícia.
Na prática, segundo a acusação, funcionários frequentemente apenas bloqueavam os criminosos nas contas das vítimas, apesar de terem recomendado anteriormente que elas não fizessem isso. A FTC também aponta a fabricação de conversas e a reutilização de coordenadas geográficas, especialmente de regiões da Nigéria e das Filipinas, para simular resultados investigativos.
Após a primeira contratação, clientes eram pressionados a adquirir uma segunda etapa de proteção, supostamente destinada ao monitoramento contínuo de contas e à prevenção de novas ameaças. Essa fase normalmente custava outros US$ 2 mil a US$ 5 mil ou mais. Embora fosse inicialmente apresentada como necessária apenas em situações excepcionais, a FTC afirma que a oferta era feita sistematicamente aos clientes.
A pressão também aparecia nas ligações comerciais. Conforme os documentos, vendedores adaptavam seus argumentos aos receios individuais das vítimas. Militares recebiam alertas sobre possíveis consequências profissionais, enquanto pessoas casadas eram advertidas de que seus familiares poderiam ser envolvidos nas ameaças.
Outro componente da acusação envolve a reputação online. A empresa exibia uma avaliação de cinco estrelas baseada em 3.542 opiniões, mas a FTC sustenta que parte desses depoimentos era fabricada. A investigação relata pagamentos a motoristas da Uber que nunca utilizaram os serviços, além de avaliações produzidas por funcionários e clientes pressionados a publicar comentários positivos.
A agência também acusa a organização de dificultar reembolsos, suprimir críticas negativas e direcionar consumidores a páginas falsas que imitavam canais de reclamação.
Christopher Mufarrige, diretor do Bureau of Consumer Protection da FTC, afirmou que a empresa explorava consumidores que já enfrentavam uma crise, utilizando o medo para pressioná-los a pagar por serviços não prestados.
A ação foi protocolada em 6 de outubro e divulgada publicamente no dia 13. A FTC busca medidas judiciais permanentes e reparações financeiras. O processo continua em andamento, e a suspensão temporária não representa uma condenação definitiva das empresas ou de seus responsáveis.



