A PHP Foundation, organização responsável por apoiar o desenvolvimento da linguagem PHP, conta com apenas uma funcionária em tempo integral e 14 profissionais contratados, a maioria em regime parcial. A estrutura foi revelada pela diretora-executiva Elizabeth Barron em entrevista à Reuters publicada na sexta-feira (23), em meio à resposta a duas vulnerabilidades críticas de segurança.
“Temos uma funcionária em tempo integral, que sou eu, e 14 contratados, em sua maioria de meio período”, afirmou Barron. A organização também possui um conselho formado por voluntários não remunerados e depende de doações e subsídios para financiar suas atividades.
A dimensão da equipe contrasta com a importância do PHP, linguagem utilizada em grande parte dos sites do mundo. Isso não significa, porém, que apenas uma pessoa seja responsável por manter a tecnologia. O desenvolvimento da linguagem envolve uma comunidade internacional de colaboradores, além dos profissionais vinculados à fundação.
Inteligência artificial aumenta a pressão sobre a manutenção do PHP
A revelação ocorre após a divulgação de duas vulnerabilidades críticas que levaram ao lançamento de correções em 21 de outubro. As falhas poderiam permitir a execução remota de código em servidores sob determinadas condições. A fundação trabalhou com pesquisadores e empresas externas para investigar os problemas e coordenar as atualizações.
Segundo Barron, a inteligência artificial ajudou pesquisadores a identificar vulnerabilidades que existiam havia cerca de uma década. Entretanto, a mesma tecnologia também está ampliando o trabalho de manutenção.
O projeto PHP recebe atualmente quase o dobro de alterações de código propostas em comparação com um ano atrás, enquanto o número de contribuidores não cresceu na mesma proporção. A avaliação dessas propostas e dos relatos de erros continua exigindo conhecimento técnico e revisão humana.
Embora a Cloudflare tenha registrado milhões de tentativas de ataque relacionadas às falhas recentes, Barron afirmou que não havia evidências de exploração bem-sucedida antes da divulgação das vulnerabilidades ou em sistemas já corrigidos.
Para a diretora, a dependência de empresas e governos em relação ao PHP evidencia um desequilíbrio entre a importância da tecnologia e os recursos destinados à sua manutenção. Ela classificou a linguagem como extremamente subfinanciada.



