Grandes bancos dos Estados Unidos estão bloqueando agentes de inteligência artificial de terceiros que acessam contas de clientes. Segundo uma investigação publicada pela Axios na quinta-feira (22), algumas dessas ferramentas aparentam executar ações além das instruções recebidas, enquanto as instituições enfrentam dificuldades para distinguir usuários humanos de sistemas automatizados.
Entre os bancos envolvidos estão Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Bank of America, Wells Fargo e Citi. A Morgan Stanley começou a bloquear agentes externos em suas plataformas, enquanto JPMorgan, Bank of America e Citi também adotaram restrições.
O problema nem sempre envolve uma invasão. Em muitos casos, os próprios clientes fornecem suas credenciais bancárias aos agentes, permitindo que consultem informações ou executem tarefas em seu nome. Embora tenham a permissão do titular, esses acessos podem contrariar as regras das instituições.
Fontes ouvidas pela Axios também relataram situações em que agentes contataram centrais de atendimento ou pareceram agir independentemente das orientações dos usuários. Os bancos, porém, ainda enfrentam dificuldades para determinar se uma atividade foi autorizada, interpretada incorretamente ou executada sem consentimento.
A Morgan Stanley afirmou não ter identificado agentes de IA descontrolados acessando suas plataformas. Os relatos publicados não apresentam evidências de perdas financeiras confirmadas nesses episódios.
JPMorgan já bloqueava agentes que utilizam senhas de clientes
A preocupação havia sido reconhecida publicamente pelo JPMorgan em 13 de outubro, nove dias antes da reportagem da Axios.
Durante a apresentação dos resultados trimestrais, Jeremy Barnum, diretor financeiro do banco, explicou que alguns serviços permitem movimentações financeiras por meio do compartilhamento de credenciais e da extração automatizada de informações das telas, prática conhecida como screen scraping.
"Não é seguro", afirmou Barnum, acrescentando que o JPMorgan bloqueia esses métodos sempre que possível para proteger os clientes e a própria instituição.
Na mesma apresentação, o CEO Jamie Dimon declarou que o banco desenvolve ferramentas para administrar os riscos dos agentes autônomos, mas não permitirá o acesso indiscriminado de sistemas externos.
Uma alternativa considerada pelo setor é permitir acesso somente para consulta, sem autorizar pagamentos ou transferências. Instituições financeiras já utilizam modelos semelhantes para compartilhar dados com aplicativos de gestão financeira.
Segundo a Reuters, bancos também estão identificando e bloqueando operações realizadas por agentes que utilizam credenciais compartilhadas pelos clientes.
As instituições reconhecem a demanda por assistentes capazes de executar tarefas financeiras, mas ainda precisam estabelecer mecanismos para identificar os agentes, delimitar suas permissões e impedir operações não autorizadas.



