A JD.com está perto de obter aval da União Europeia para assumir a Ceconomy, controladora das redes MediaMarkt e Saturn, depois de reforçar as concessões oferecidas para responder às preocupações de Bruxelas com possíveis subsídios recebidos na China. A informação foi publicada pela Reuters na sexta-feira (2), citando uma pessoa familiarizada com o processo.

A operação prevê o pagamento de € 4,60 por ação da Ceconomy, em uma oferta avaliada inicialmente em cerca de € 2,2 bilhões. A JD.com já assegurou 59,8% do capital por meio da oferta pública. Somada à participação de 25,35% que continuará com a Convergenta, acionista da família fundadora da MediaMarkt, a estrutura representa 85,2% das ações.

O fechamento, porém, depende da autorização regulatória. A Comissão Europeia abriu em maio uma investigação aprofundada com base no Regulamento de Subsídios Estrangeiros, mecanismo que permite examinar se recursos concedidos por governos de fora do bloco oferecem vantagens capazes de distorcer o mercado europeu.

JD.com muda proposta para responder a Bruxelas

A Comissão identificou preliminarmente possíveis benefícios à JD.com por meio de financiamento preferencial, incentivos fiscais e subsídios atribuíveis à China. Uma das preocupações é que esses recursos tenham permitido à companhia oferecer condições de aquisição que não estariam disponíveis em condições normais de mercado.

A empresa apresentou compromissos formais em agosto. Após críticas recebidas durante a avaliação das medidas iniciais, a JD.com aprimorou a proposta, segundo a Reuters. Entre as concessões estão o acesso da Ceconomy à infraestrutura logística e tecnológica europeia da companhia em condições de mercado e garantias de acesso justo e não discriminatório para concorrentes menores.

A Reuters informou que as novas medidas colocaram a operação no caminho para aprovação. A decisão final da Comissão é esperada até 4 de novembro, embora o resultado ainda não tenha sido anunciado oficialmente.

Ceconomy dá à JD.com escala imediata na Europa

A compra colocaria sob controle da JD.com uma das maiores redes de eletrônicos de consumo da Europa. A Ceconomy opera mais de 1.000 lojas em 11 países, principalmente por meio das marcas MediaMarkt e Saturn, além de manter uma operação relevante de comércio eletrônico.

Para a companhia chinesa, a operação oferece uma rota de expansão diferente da construção gradual de uma marca própria no continente. A JD.com já atua na União Europeia com varejo, logística e armazenagem, incluindo a marca Joybuy, mas a Ceconomy acrescentaria imediatamente lojas físicas, canais digitais e relacionamento com grandes fabricantes.

O processo também mostra como aquisições chinesas de grande porte na Europa passaram a enfrentar uma camada adicional de fiscalização. Desde 2023, o Regulamento de Subsídios Estrangeiros permite que Bruxelas investigue não apenas os efeitos concorrenciais de uma aquisição, mas também a origem das vantagens financeiras utilizadas para realizá-la. Se os compromissos apresentados não eliminarem a distorção identificada, a Comissão pode exigir novas medidas ou impedir a operação.

A eventual aprovação da Ceconomy, portanto, não eliminaria essa barreira. Ela mostraria quais tipos de concessões podem ser exigidos de grandes grupos estrangeiros para atravessar um regime europeu de fiscalização que agora alcança também financiamento, incentivos e apoio estatal recebido fora do bloco.

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