A MARA Holdings informou que a queda de 28% na cotação média do bitcoin derrubou seus resultados no segundo trimestre de 2026, com prejuízo líquido de US$ 611,3 milhões, contra lucro de US$ 808,2 milhões um ano antes.
A receita recuou 27% na base anual, para US$ 174,9 milhões. A empresa atribuiu parte do tombo ao menor preço do bitcoin, que reduziu a receita em cerca de US$ 65,9 milhões, mesmo com produção maior.
O Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 360,9 milhões, ante positivo de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2025. A MARA também contabilizou perda não realizada de US$ 343 milhões em suas participações digitais, depois de o bitcoin cair cerca de 45% na comparação anual.
Operação
A produção subiu 3% no trimestre, para 2.422 BTC, e o hashrate energizado avançou 22%, para 70,3 EH/s. A MARA vendeu 2.213 BTC ao preço médio de US$ 73.078 e obteve US$ 4,3 milhões em receita de juros com o empréstimo de 4.742 BTC.
A companhia encerrou junho com 35.577 BTC, cerca de US$ 2,1 bilhões, 29% menos que um ano antes. Desse total, 9.270 BTC estavam emprestados ou dados como garantia. O custo de energia comprada por bitcoin subiu para US$ 38.690, com aumento das despesas de energia e da dificuldade da rede.
Vendas e planos
A administração afirmou que pretende continuar vendendo o criptoativo de forma oportunista para apoiar liquidez e projetos de capital, conforme as condições de mercado.
O analista Hupzy, da Spot On Chain, afirmou que a empresa está “liquidando seu tesouro de bitcoin para financiar operações”. Para ele, a venda representa um excesso de oferta no mercado, e não um evento pontual, já que a produção subiu apenas 3% enquanto as reservas caíram quase um terço. Ele também apontou que o caixa combinado com bitcoin, de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, limita quanto mais a empresa pode vender.
Entre 4 e 25 de março, a MARA vendeu 15.133 BTC por cerca de US$ 1,1 bilhão, utilizando a maior parte dos recursos para recomprar aproximadamente US$ 1 bilhão em notas conversíveis com vencimento em 2030 e 2031. A empresa também cortou cerca de 15% do quadro de funcionários e transferiu 200 BTC para a NYDIG.
Expansão para IA
A MARA afirmou que segue focada em infraestrutura além da mineração de bitcoin. No comunicado aos acionistas, disse que aguarda aprovação regulatória para a aquisição do complexo Long Ridge e que obteve direitos sobre um terreno energizado no condado de Matagorda, no Texas. Se aprovados, os projetos podem expandir sua carteira de energia para até 4,8 GW, com a empresa direcionando mais capital para inteligência artificial e computação de alto desempenho.



