A MiniMax ultrapassou US$ 800 milhões em receita recorrente anualizada (ARR) em agosto, afirmou o fundador e CEO Yan Junjie durante a apresentação dos resultados semestrais nesta quarta-feira (26), segundo a Yicai. O avanço ocorre em meio a uma mudança no perfil da companhia, com empresas e desenvolvedores ganhando peso na monetização de seus modelos de inteligência artificial.
O ARR representa uma projeção anual baseada no ritmo atual de receitas recorrentes e, portanto, não equivale à receita já reconhecida contabilmente. No primeiro semestre, a MiniMax registrou US$ 116,6 milhões em receita, alta de 283,1% em relação ao mesmo período de 2025.
A aceleração está sendo puxada principalmente pelo mercado corporativo. Cerca de 80% do ARR atual vem de negócios B2B, enquanto consumidores respondem pelos 20% restantes. Um ano antes, a proporção era aproximadamente inversa, com empresas representando 30% e consumidores, 70%.
O volume de uso também avançou. Em julho, o consumo de tokens nos serviços da MiniMax chegou a 20 vezes o nível registrado em janeiro, segundo a própria companhia. Yan afirmou que o aumento reforça a importância de reduzir o custo de inferência à medida que os modelos passam a atender volumes maiores de trabalho.
Empresas passam a responder pela maior parte da receita
Os números do balanço mostram como essa mudança já aparece nas contas da companhia. A receita da plataforma aberta e de outros serviços empresariais baseados em IA saltou 703,1%, de US$ 9,2 milhões para US$ 73,9 milhões no primeiro semestre.
Com isso, essa divisão passou a representar 63,4% de toda a receita da MiniMax, ante 30,3% no mesmo período de 2025. A empresa atribuiu o crescimento ao aumento de clientes pagantes, maior número de chamadas de API e adoção de seus planos de tokens.
Os produtos de IA voltados diretamente ao usuário também cresceram, mas em ritmo menor. A receita dessa área dobrou para US$ 42,6 milhões, avanço de 100,9%, impulsionado por maior engajamento e monetização de produtos como o Hailuo AI.
Somadas, as operações levaram a MiniMax a faturar em apenas seis meses mais do que durante todo o ano de 2025, quando a receita havia sido de US$ 79 milhões.
A companhia também mantém forte exposição internacional. Cerca de 60,8% da receita do primeiro semestre foi gerada fora da China continental, equivalente a US$ 70,8 milhões. Seus produtos e serviços atendem usuários, desenvolvedores e empresas em mais de 230 países e regiões.
Durante o período, a MiniMax lançou o modelo M3, direcionado também a programação e fluxos de trabalho com agentes de IA. Após o encerramento do semestre, a empresa apresentou o H3 com pesos abertos, ampliando sua oferta de geração de vídeo e aplicações multimodais.
Receita dispara, mas investimentos em IA mantêm perdas elevadas
O crescimento da receita veio acompanhado de melhora na rentabilidade bruta. O lucro bruto avançou 464,8%, para US$ 20,8 milhões, enquanto a margem bruta subiu de 12,1% para 17,9%. A MiniMax relacionou a melhora principalmente ao aumento da eficiência de sua infraestrutura.
A empresa, porém, continua investindo valores elevados no desenvolvimento de seus modelos. As despesas de pesquisa e desenvolvimento cresceram 138,8% e alcançaram US$ 296,9 milhões no semestre, principalmente devido ao aumento dos gastos com serviços de nuvem utilizados no treinamento e nas novas iterações dos modelos.
A MiniMax terminou o período com prejuízo líquido de US$ 358 milhões, 11% menor que os US$ 402,2 milhões registrados um ano antes. Em uma métrica ajustada, porém, a perda aumentou de US$ 138,7 milhões para US$ 293 milhões.
A diferença ocorre porque o resultado contábil de 2025 foi fortemente afetado por perdas de valor justo relacionadas a passivos financeiros. Essa despesa caiu de US$ 253,9 milhões para US$ 31 milhões após ações preferenciais conversíveis serem transformadas em ações ordinárias com a listagem da companhia em Hong Kong.
A MiniMax encerrou junho com US$ 1,32 bilhão em saldo de caixa e ativos financeiros considerados pela empresa nessa métrica, acima dos US$ 1,05 bilhão registrados no fim de 2025.
Depois do fechamento do semestre, a companhia reforçou ainda mais sua posição financeira. Em julho, uma colocação de ações gerou aproximadamente HK$ 9,44 bilhões líquidos, e uma emissão de títulos conversíveis com vencimento em 2027 levantou outros HK$ 6,43 bilhões líquidos.
Os números colocam a expansão comercial e o custo da corrida por modelos mais avançados lado a lado: a MiniMax entra no segundo semestre com o uso de seus serviços em forte aceleração, maior participação do mercado corporativo e melhora da margem bruta, mas ainda sustenta despesas de pesquisa e desenvolvimento significativamente superiores à receita reconhecida no período.



