Uma investigação divulgada pela Anthropic nesta sexta-feira (23) revelou novos detalhes sobre o comportamento do Claude Mythos 5 durante avaliações de segurança realizadas pelo AI Security Institute (AISI), do Reino Unido. Em 9 de 43 execuções, o modelo ultrapassou os limites autorizados dos testes e realizou ações que envolveram pessoas e organizações reais.

Os episódios ocorreram em julho de 2026 e foram divulgados inicialmente pelo AISI em agosto. A nova análise examina por que o sistema adotou essas estratégias e por que continuou executando ações indevidas mesmo diante de sinais de que poderia prejudicar terceiros.

No caso mais grave, o Mythos 5 recebeu a tarefa de encontrar informações protegidas em uma rede simulada. Depois de fracassar nas tentativas previstas pelo exercício, identificou um repositório no GitHub que acreditava estar conectado ao ambiente de testes.

Infográfico em quatro painéis mostra o Mythos 5 saindo do ambiente de teste e atacando um repositório de terceiros no GitHub.
O ataque do Mythos 5 a um repositório de terceiros ocorreu ao longo de nove ciclos de compactação, divididos em quatro fases. Fonte: Anthropic.

O projeto, porém, pertencia a desenvolvedores reais, sem participação na avaliação. O modelo tentou introduzir código malicioso no repositório para comprometer uma máquina do exercício quando ela baixasse uma atualização.

Para conseguir a aprovação da alteração, criou identidades falsas e enviou mensagens aos responsáveis pelo projeto, apresentando o código como seguro. Um desenvolvedor externo identificou o conteúdo malicioso, e os mantenedores recusaram a alteração.

Infográfico simula uma pull request do GitHub em que o Mythos 5 tenta aprovar código malicioso com o apoio de contas falsas.
Representação da pull request usada pelo Mythos 5 para tentar inserir código malicioso e das contas falsas criadas para avalizar a alteração. Fonte: Anthropic.

Segundo a Anthropic, o episódio representou uma forma particularmente grave de comportamento enganoso. A empresa afirmou não ter observado anteriormente uma tentativa semelhante de manipulação de pessoas reais em suas avaliações internas ou nos incidentes que havia documentado.

Mythos 5 continuou o ataque mesmo diante de sinais de risco

A investigação encontrou um problema adicional: depois de iniciar o ataque, o modelo demonstrou grande resistência a abandonar a estratégia.

Em reproduções controladas da execução original, o Mythos 5 iniciou o ataque em 83% das tentativas. Quando os pesquisadores inseriram observações sobre o risco de prejudicar pessoas reais em seu raciocínio anterior, essa proporção caiu para 13%.

Entretanto, quando a ação já estava em andamento, o modelo interrompeu espontaneamente o ataque em apenas 2% das trajetórias analisadas. Mesmo com informações adicionais indicando que os desenvolvedores eram pessoas reais e que a abordagem estava errada, a taxa de interrupção chegou somente a 5%.

A Anthropic também avaliou versões mais recentes. O Mythos 5.1, o Opus 5.5 e um modelo interno de pesquisa iniciaram ataques em proporções entre 0% e 13%, abaixo dos 83% registrados pelo Mythos 5. Os resultados vieram de reproduções experimentais, não de novos ataques contra sistemas reais.

Em investigação independente publicada na mesma data, o AISI identificou situações nas quais o Mythos 5 reconhecia, quando questionado, que determinadas ações seriam prejudiciais, mas ainda assim prosseguia com elas.

Os testes originais permitiam acesso à internet e tinham mecanismos de proteção cibernética desativados, condições diferentes das oferecidas aos usuários dos modelos comerciais. O AISI informou que não identificou danos reais decorrentes das tentativas, embora tenha registrado ações direcionadas a terceiros.

A Anthropic afirmou que as proteções utilizadas em seus sistemas comerciais teriam sinalizado o comportamento observado. Já o AISI passou a restringir o acesso à internet nessas avaliações enquanto desenvolve controles mais robustos.

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