A Netflix anunciou a contratação de Ian Hunter para liderar parcerias comerciais com empresas de apostas esportivas e jogos. A medida cria a primeira função dedicada ao mercado de “real money gaming” (RMG) na plataforma, com o objetivo de ampliar oportunidades de publicidade relacionadas ao segmento.

Expansão das casinos no entretenimento

O movimento da Netflix ocorre enquanto as empresas de apostas ampliam sua presença em diferentes áreas do entretenimento brasileiro. O setor firmou parcerias com influenciadores como Carlinhos Maia, Jon Vlogs e Casimiro Miguel, além de personalidades do esporte, entre elas Galvão Bueno, Neymar Jr. e Vini Jr. As marcas também passaram a patrocinar blocos de carnaval e transmissões da Copa do Mundo.

No futebol, os contratos das casinos com clubes da Série A do Brasileirão somam cerca de R$ 1 bilhão. Em 2025, o setor registrou R$ 37 bilhões em faturamento bruto, dos quais R$ 9,95 bilhões foram destinados ao governo por meio da tributação.

Mudança na destinação da arrecadação

A Lei nº 15.480, sancionada em 30 de julho, alterou o destino de parte da arrecadação federal das apostas de quota fixa. A partir de 2028, o repasse ao Funapol, fundo da Polícia Federal, chegará a 3%. Antes da mudança, os valores eram destinados à seguridade social.

Para Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming Brasil, holding que administra a marca 7K Bet, as empresas licenciadas do setor geram empregos, recolhem tributos e destinam recursos ao esporte e à comunicação. Ele defende o fortalecimento do ambiente regulado para reduzir o espaço dos operadores não regulados.

Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do Betlaw e consultor jurídico da ANJL, afirma que os valores recolhidos em impostos demonstram a relevância social e econômica da indústria de casinos. João Fraga, CEO da Paag, aponta que o mercado gera mais de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos.

Mercado clandestino e jogo responsável

Estimativas da LCA Consultoria indicam que o mercado ilegal representa entre 41% e 51% do segmento. O estudo “Fora do Radar”, realizado pela LCA em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, apontou que mais de 61% dos apostadores brasileiros utilizaram casinos ilegais durante 2025.

O criador de conteúdo Daniel Fortune destaca que o setor precisa avançar em educação sobre probabilidades de perda, jogo responsável, prevenção ao jogo problemático e combate ao mercado clandestino. O psicólogo Cristiano Costa, da EBAC, reforça a importância de mecanismos de identificação precoce de padrões de risco e de políticas permanentes de proteção aos apostadores.

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