Três presidentes de comissões da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos solicitaram que Jensen Huang, CEO da Nvidia, participe de uma reunião reservada para esclarecer seus contatos com uma empresária suspeita de atuar para a inteligência chinesa. O pedido, divulgado na quinta-feira (5), amplia o escrutínio político sobre a fabricante de chips de inteligência artificial e seus mecanismos de proteção contra espionagem estrangeira.

A carta, datada de 4 de novembro de 2026, foi assinada pelos republicanos Brian Mast, presidente da Comissão de Relações Exteriores; John Moolenaar, responsável pela comissão especial sobre a China; e Rick Crawford, presidente da Comissão de Inteligência.

Os parlamentares solicitaram uma reunião conjunta para 18 de novembro, com prazo até 11 de novembro para que Huang confirme sua participação ou indique outra data. O documento também pede esclarecimentos sobre os protocolos adotados pela Nvidia para impedir o acesso de governos estrangeiros a informações sensíveis.

O questionamento surgiu após uma investigação publicada pelo The New York Times em 29 de outubro. Segundo o jornal, autoridades de inteligência americanas identificaram indícios de que Alice Huang, também conhecida como Huang Le, teria repassado informações a Pequim enquanto mantinha uma relação próxima com o executivo da Nvidia.

Alice Huang foi executiva da Megaspeed, empresa de infraestrutura de data centers sediada em Singapura e cliente da fabricante americana. A companhia também passou pelo escrutínio de autoridades dos Estados Unidos diante de suspeitas de que equipamentos avançados de inteligência artificial poderiam estar chegando à China em desacordo com restrições americanas de exportação.

Compras bilionárias de chips ampliam questionamentos

A dimensão comercial do relacionamento também está sob investigação. Segundo registros de comércio internacional analisados pelo The New York Times, uma empresa associada à Megaspeed na Malásia adquiriu pelo menos US$ 4,8 bilhões em equipamentos contendo chips e tecnologia da Nvidia entre junho de 2024 e fevereiro de 2026.

A investigação jornalística também apontou que empresas ligadas à Megaspeed continuaram comprando produtos da Nvidia em 2026, inclusive por intermediários. Entretanto, as suspeitas de desvio de equipamentos não constituem comprovação de que a companhia tenha violado as restrições americanas.

A Nvidia afirmou que os encontros de Jensen Huang com Alice Huang faziam parte das atividades comerciais habituais do executivo, que mantém contato com milhares de clientes anualmente. A fabricante também declarou que seus clientes de infraestrutura em nuvem na Ásia recebem apenas informações comerciais comuns, sem acesso a segredos industriais sensíveis ou dados relacionados à segurança nacional.

A Megaspeed informou anteriormente ao The New York Times que contratou assessoria jurídica externa para investigar as alegações e cooperar com autoridades americanas. A China rejeitou as acusações de espionagem.

A pressão política não está restrita aos parlamentares republicanos responsáveis pela carta. Em 29 de outubro, a senadora democrata Elizabeth Warren também exigiu explicações da direção da Nvidia sobre o caso e voltou a defender restrições à transferência de tecnologia avançada para a China.

Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que Jensen Huang tenha conscientemente compartilhado informações confidenciais com a inteligência chinesa. O pedido do Congresso representa uma solicitação formal de esclarecimentos, não uma acusação criminal contra o executivo.

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