A OpenAI está discutindo uma possível revisão de suas expectativas de capacidade computacional para 2027 após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro. Segundo o The Wall Street Journal, executivos da empresa passaram a avaliar os efeitos da vitória de candidatos que defendem restrições à construção de novos data centers.

As discussões ocorreram na quarta-feira (4), de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pelo jornal. Ainda não há decisão anunciada sobre cortes de capacidade, adiamentos ou cancelamentos de projetos.

O resultado eleitoral aumentou a incerteza em estados importantes para a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, especialmente Texas, Geórgia e Ohio. Candidatos favoráveis a moratórias ou condições mais rígidas para novos empreendimentos venceram disputas nesses mercados, colocando em questão o ritmo de aprovação de futuras instalações.

A resistência está associada principalmente ao consumo de eletricidade, à possibilidade de aumento das tarifas para moradores e à pressão sobre os recursos hídricos. Para empresas que dependem de grandes instalações de computação, mudanças nas regras estaduais e locais podem prolongar processos de licenciamento e conexão às redes elétricas.

Projetos bilionários dependem de energia e aprovação local

A exposição da OpenAI inclui empreendimentos associados à iniciativa Stargate no Texas e projetos de grande escala em Ohio. Em agosto, a companhia anunciou um acordo para desenvolver aproximadamente 8 GW de capacidade de TI no campus PORTS-Pike, em Ohio, com implantação prevista em etapas até 2032.

Na Geórgia, o Project Camellia prevê contratar 3,2 gigawatts de energia da Georgia Power. A entrega está planejada em fases entre 2028 e 2032, com a primeira capacidade podendo entrar em operação em 2028.

A distinção é importante: os 3,2 GW representam fornecimento elétrico contratado para um empreendimento ainda em desenvolvimento, não capacidade computacional já instalada ou disponível em 2027. O cronograma continua condicionado a licenças, financiamento, obras e infraestrutura.

Em resposta às preocupações das comunidades, a OpenAI anunciou na quinta-feira (5) novos compromissos para os futuros campi que possuir e operar. Entre eles estão pagar integralmente os custos de energia e infraestrutura, divulgar dados de consumo de água e eletricidade, apresentar estudos de ruído e ampliar a participação dos moradores nas decisões sobre os empreendimentos.

A empresa também propôs regras para impedir que consumidores residenciais arquem com custos adicionais provocados por grandes instalações. No Project Camellia, seu acordo permite que a concessionária reduza em até 1.000 MW o fornecimento durante períodos de maior demanda elétrica.

A eventual revisão das projeções para 2027 permanece, portanto, uma discussão interna relatada pelo Wall Street Journal. Os compromissos públicos anunciados pela OpenAI não representam uma alteração formal dos cronogramas dos projetos.

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