A Sui Foundation anunciou nesta quinta-feira (8) que a Hashi, sua nova infraestrutura financeira para operações com Bitcoin, iniciará seu lançamento na rede principal ainda em outubro, com mais de US$ 500 milhões em compromissos de capital. A plataforma permitirá utilizar BTC como garantia em empréstimos e outros produtos financeiros sem transferir o ativo original para outra blockchain.

O projeto reúne mais de 20 parceiros, incluindo BitGo, Bullish, Cumberland, FalconX e Ledger. A Anchorage Digital, instituição americana especializada em serviços financeiros para ativos digitais, também confirmou sua participação desde o lançamento, oferecendo acesso a empresas e investidores institucionais.

Os US$ 500 milhões representam compromissos anunciados pelos participantes, não um volume comprovadamente depositado na plataforma. A Sui não detalhou quanto desse montante já está disponível nem apresentou uma distribuição individual dos recursos entre os parceiros.

A infraestrutura foi desenvolvida pela Mysten Labs, empresa responsável pela tecnologia original da Sui. Seu objetivo é permitir que instituições utilizem reservas de Bitcoin para obter liquidez, contratar financiamento e participar de mercados de crédito sem precisar vender suas posições.

Como o Bitcoin será utilizado como garantia sem sair de sua rede

O funcionamento da Hashi depende de um mecanismo que conecta ativos mantidos na rede Bitcoin a contratos inteligentes executados na Sui.

Quando um usuário deposita BTC no sistema, os ativos permanecem protegidos na blockchain original. Em contrapartida, a plataforma emite hBTC, uma representação do Bitcoin depositado que pode circular entre aplicações financeiras na Sui.

Esse hBTC poderá ser utilizado como garantia para empréstimos em stablecoins, operações de crédito e produtos financeiros estruturados. No resgate, os tokens correspondentes são destruídos e o Bitcoin original é liberado.

A arquitetura utiliza assinaturas criptográficas compartilhadas, validadores e uma camada adicional de proteção chamada Guardian Layer, responsável por verificar movimentações dos ativos mantidos em garantia. Segundo a Sui, os contratos inteligentes passaram por verificação formal da Certora, enquanto a CommonPrefix revisou componentes criptográficos do protocolo.

A entrada da Anchorage Digital acrescenta duas modalidades de acesso institucional. A primeira utiliza a infraestrutura Atlas, que permite empregar Bitcoin como garantia mantendo os ativos sob custódia qualificada, modelo direcionado a empresas com exigências regulatórias e operacionais mais rigorosas.

A segunda funciona por meio da Porto, carteira de autocustódia institucional que oferece acesso direto às aplicações da Hashi. Essa modalidade atende principalmente fundos, mineradoras, formadores de mercado e provedores de liquidez que administram suas próprias operações.

A Anchorage também planeja fornecer liquidez em stablecoins para apoiar os mercados financeiros da plataforma.

O lançamento ocorrerá de forma gradual ao longo de outubro, conforme os parceiros concluírem suas integrações. Os produtos de empréstimo e investimento serão desenvolvidos e oferecidos por terceiros, enquanto a Hashi fornecerá a infraestrutura para utilização do Bitcoin como garantia.

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