O Banco Popular da China (PBOC) autorizou nesta terça-feira (13) a Visa a iniciar os preparativos para estabelecer uma instituição de compensação de cartões bancários no país. A decisão abre caminho para a empresa atuar no processamento de pagamentos domésticos em yuans, um mercado historicamente dominado pela UnionPay. A autorização, porém, ainda não permite o início das operações.
O aval foi concedido à Visa Information Technology (Beijing), empresa constituída pela companhia americana na China. A nova estrutura permitirá que a Visa, após obter a licença definitiva, processe transações domésticas por sua própria rede, atividade até agora concentrada principalmente em instituições locais.
A dimensão desse mercado ajuda a explicar a importância da decisão. Em 2025, o sistema chinês registrou 4,6 trilhões de transações com cartões bancários, movimentando 963,6 trilhões de yuans (US$ 143,9 trilhões), segundo dados do banco central citados pela Reuters.
Os valores correspondem ao conjunto das operações com cartões na China. Não representam receitas da Visa nem indicam quanto desse volume poderá ser capturado pela companhia.
Visa terá um ano para concluir preparativos antes de solicitar licença operacional
A autorização estabelece um processo regulatório em duas etapas. A Visa terá até um ano para concluir os preparativos da instituição de compensação e, somente depois, poderá apresentar o pedido de início das atividades.
Essa solicitação dependerá de uma nova avaliação do PBOC e da Administração Nacional de Regulação Financeira da China. Caso os órgãos aprovem o pedido, será emitida a licença que permitirá à empresa efetivamente oferecer serviços de compensação de cartões domésticos.
A distinção é importante porque o anúncio de terça-feira não estabelece uma data para o início do processamento de pagamentos em yuans. Em comunicado, o CEO da Visa, Ryan McInerney, afirmou que a empresa continuará cumprindo as exigências regulatórias necessárias para iniciar suas operações locais.
A companhia também encontrará concorrentes internacionais já estabelecidos. A American Express recebeu autorização operacional em 2020, enquanto a Mastercard obteve sua licença em 2023, ambas por meio de estruturas de parceria com empresas chinesas.
A UnionPay permanece como principal participante do processamento doméstico de cartões, enquanto plataformas como Alipay e WeChat Pay também ocupam posições relevantes no cotidiano dos pagamentos digitais chineses.
Para a Visa, o próximo marco será a conclusão da estrutura local e a apresentação do pedido de licença definitiva. Até que essa autorização seja concedida, a entrada no processamento doméstico continuará restrita à fase preparatória.



