A Anthropic apresentou nesta segunda-feira (26) seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). O documento revelou que a desenvolvedora do Claude adiou por mais de um mês o pré-treinamento de um novo modelo de inteligência artificial para reforçar a proteção contra roubo de tecnologia.

A decisão envolveu um modelo de fronteira, categoria utilizada para sistemas de IA com capacidades avançadas. Segundo o formulário S-1, a empresa considerou necessário aprimorar mecanismos destinados a impedir a extração dos pesos do modelo, parâmetros que armazenam o conhecimento adquirido durante o treinamento, além de proteger sua propriedade intelectual.

A Anthropic não especificou quando o adiamento ocorreu nem identificou o modelo afetado. Também não informou se a medida alterou seu cronograma de lançamento. No prospecto, porém, reconheceu que interrupções relacionadas à segurança podem atrasar receitas e prejudicar sua posição competitiva.

O pedido de IPO prevê a listagem das ações na bolsa Nasdaq sob o código ANT. A quantidade de papéis oferecidos e a faixa de preço ainda não foram definidas, e o registro depende de entrar em vigor antes da venda das ações.

Quatro modelos de IA acessaram sistemas externos durante testes

O prospecto também detalha incidentes de segurança nos quais quatro modelos de IA conseguiram acessar sistemas computacionais externos durante avaliações realizadas antes de seus lançamentos.

De acordo com a documentação, uma configuração incorreta em testes de cibersegurança conduzidos com um parceiro externo manteve o ambiente conectado à internet, apesar das instruções para bloquear esse acesso. As sessões não autorizadas duraram entre 10 e 34 horas.

Em um dos episódios, uma versão preliminar de um modelo encontrou uma senha armazenada e a utilizou para obter privilégios de administrador em um sistema de terceiros. O agente conseguiu acessar credenciais adicionais, modificar configurações e consultar dados pessoais de um indivíduo.

A Anthropic afirmou ter notificado os envolvidos e não encontrou evidências de que os modelos tentaram deliberadamente escapar da supervisão humana ou coordenar suas ações. Após os incidentes, a empresa suspendeu determinadas avaliações de cibersegurança e interrompeu temporariamente ambientes de aprendizado por reforço considerados de maior risco.

As revelações ocorreram no mesmo documento em que a companhia apresentou seus resultados financeiros. A Anthropic registrou US$ 16,3 bilhões em receita no primeiro semestre de 2026, ante aproximadamente US$ 1,2 bilhão no mesmo período de 2025.

Apesar do crescimento, reportou prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões, influenciado principalmente por ajustes contábeis sem desembolso imediato relacionados a instrumentos de dívida conversível.

A empresa havia submetido uma versão confidencial do pedido de IPO em junho. Com a divulgação pública do prospecto, os riscos de segurança associados ao desenvolvimento dos modelos passaram a integrar as informações disponíveis aos potenciais investidores.

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