A ETHGas pretende tornar as transações de bancos e instituições financeiras mais previsíveis na blockchain Ethereum, mas seu serviço institucional ainda apresenta uma limitação importante: a compensação financeira por compromissos não cumpridos está atualmente fixada em zero. A condição foi reconhecida pelo fundador do projeto, Kevin Lepsoe, em entrevista publicada pelo CoinDesk nesta terça-feira (3).

“Atualmente, o valor da compensação está fixado em zero”, afirmou Lepsoe. Segundo ele, os mecanismos para estabelecer pagamentos existem, mas o valor adequado ainda deverá ser determinado pelo mercado.

A ETHGas afirma que os compromissos assumidos pelos validadores são respaldados por garantias depositadas como colateral. Nas condições atuais, entretanto, o descumprimento de um compromisso abrangido pelo serviço não resultaria em pagamento financeiro ao cliente.

O produto, chamado Institutional Blockspace, está em desenvolvimento e busca permitir que bancos e empresas de negociação reservem antecipadamente capacidade de processamento em futuros blocos da Ethereum.

A proposta também inclui verificações de identidade dos validadores, controles de conformidade com sanções financeiras, análise de contrapartes e regras para ordenar transações. Essas operações continuariam sendo liquidadas na rede pública, sem exigir que as instituições migrassem para uma blockchain privada.

A reserva antecipada, porém, não permite escolher livremente quem produzirá o próximo bloco. Essa seleção continua sob responsabilidade do protocolo Ethereum, o que limita a previsibilidade quando poucos validadores atendem aos critérios institucionais.

Apenas 5% da rede atende aos critérios atuais

Segundo Lepsoe, os validadores qualificados representam atualmente cerca de 5% da rede Ethereum. Trata-se de uma estimativa informada pelo fundador, não de uma medição independente de sua participação efetiva na seleção de blocos.

Um modelo apresentado pela Delphi Digital calcula que, caso esses operadores controlem 5% do peso de seleção dos proponentes, o tempo médio de espera por um bloco compatível seria de aproximadamente quatro minutos. A probabilidade de encontrar um validador elegível em até um minuto seria de 23%.

Os números são resultados de uma simulação, não registros de atrasos enfrentados por clientes.

A ETHGas afirma conseguir fornecer pré-confirmações em menos de 200 milissegundos. Esse sinal antecipado, contudo, não equivale à inclusão imediata da transação em um bloco nem à sua finalidade definitiva, que continua dependendo do mecanismo de consenso da Ethereum.

A empresa pretende elevar a participação dos validadores qualificados para 20% a 30% ou mais até o fim de 2026. A expansão permanece uma meta.

Nenhum banco foi identificado utilizando o serviço em produção

Apesar da proposta direcionada ao mercado financeiro tradicional, nem Lepsoe nem o estudo da Delphi Digital identificaram bancos utilizando o Institutional Blockspace em ambiente de produção.

A ETHGas também apresenta aproximadamente US$ 800 milhões em compromissos de capacidade de blocos e um acordo de três anos com a ether.fi envolvendo ETH avaliado em cerca de US$ 3 bilhões no momento do compromisso.

Esses números dizem respeito a iniciativas comerciais e de infraestrutura do projeto. Não representam receitas realizadas, investimentos captados pela ETHGas ou contratos bancários confirmados para o Institutional Blockspace.

O relatório da Delphi Digital, publicado em 27 de outubro, foi produzido por sua divisão de consultoria mediante acordo remunerado com a ETHGas, uma relação relevante para contextualizar suas projeções.

Por enquanto, a utilização institucional do serviço permanece condicionada à ampliação da disponibilidade de validadores qualificados, à definição de garantias financeiras efetivas e à comprovação de que a infraestrutura atende às exigências operacionais dos bancos.

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