A BlackRock apresentou à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos, na segunda-feira (19), um pedido de registro para o iShares Bitcoin Managed Protection ETF (PBIT). O novo fundo pretende oferecer exposição à valorização do Bitcoin com mecanismos para reduzir parte das perdas, mas exige uma contrapartida: os ganhos também ficam limitados.
A proposta utiliza contratos de opções e investimentos de renda fixa para administrar essa exposição. Diferentemente do iShares Bitcoin Trust (IBIT), que mantém Bitcoin em seu patrimônio, o PBIT não pretende comprar diretamente a criptomoeda nem cotas de fundos vinculados a ela.
O funcionamento prevê a compra e a venda de opções relacionadas ao IBIT ou a ativos equivalentes. As opções compradas permitem participar de movimentos de alta, enquanto as vendidas ajudam a financiar a estratégia, mas estabelecem um teto para os ganhos. Parte dos recursos também será aplicada em caixa e instrumentos de renda fixa de curto prazo, cujos rendimentos poderão compensar custos e eventuais perdas.
A BlackRock planeja distribuir essas operações em três conjuntos de contratos, chamados de tranches, normalmente com vencimentos escalonados. Essa estrutura permite renovar posições periodicamente, mas faz com que diferentes parcelas do fundo tenham parâmetros próprios de proteção e valorização.
Por que a proteção do PBIT não limita as perdas a 10%
O prospecto apresentado à SEC estabelece que, em uma tranche típica, o preço de exercício das opções compradas corresponde a aproximadamente 90% do valor inicial do ativo de referência. Isso representa uma exposição inicial a perdas de cerca de 10% naquela parcela, antes de taxas e despesas.
Entretanto, esse percentual não constitui um limite garantido de perda para quem compra cotas do ETF.
A diferença está na própria estrutura do produto. Como as tranches começam em datas distintas e podem utilizar preços de exercício diferentes, o investidor fica exposto ao resultado combinado de várias posições. A gestora também poderá modificar os parâmetros de proteção conforme as condições do mercado.
O documento esclarece ainda que, quando o ativo de referência se valoriza após o início de uma tranche, a perda potencial calculada a partir do preço mais recente pode superar os 10% inicialmente considerados. Taxas e despesas reduzem adicionalmente a proteção efetiva.
Outro fator é a possibilidade de a BlackRock encerrar, reduzir ou adiar posições em opções. Essas decisões podem alterar tanto a proteção contra quedas quanto a participação nos ganhos. Em períodos de volatilidade extrema, o prospecto admite perdas substanciais ou até integrais do investimento.
O limite de valorização também não será uniforme. Cada tranche terá um teto determinado pelas condições das opções vendidas, o que significa que o PBIT poderá apresentar desempenho significativamente inferior ao do Bitcoin durante altas expressivas.
O pedido protocolado em 19 de outubro de 2026 ainda não representa aprovação regulatória. O prospecto permanece preliminar, com a taxa de administração e a data de lançamento sem definição final. Até que o registro produza efeitos e sejam cumpridas as exigências aplicáveis, o PBIT não poderá iniciar a comercialização de suas cotas.



