Carry trade com futuros de bitcoin voltou a render mais que títulos do Tesouro americano, revelou análise da CryptoSlate com dados de 7 de agosto. O contrato com vencimento em agosto na CME exibiu basis anualizada bruta de 7,89%, acima dos 4,19% do Treasury de dois anos no mesmo dia.
Os cálculos com data casada consideraram o boletim de liquidação da CME de 7 de agosto e o benchmark de bitcoin de Nova York às 16h, de US$ 64.880. O contrato de setembro apresentou 6,25% e o de dezembro, 5,69%. O Tesouro de dois anos marcou 4,19% em 7 de agosto e 4,25% em 10 de agosto.
A leitura contraria comparação que circula no mercado. O analista Marc Baumann afirmou que o basis anualizado do bitcoin estava perto de 3%, com o Treasury de dois anos a 3,8%, e que o prêmio ficou abaixo do benchmark por 157 dias consecutivos. Baumann não divulgou os parâmetros do cálculo; outras escolhas de praça, vencimento, regra de rolagem ou série de custos podem gerar números diferentes.
Como funciona o carry trade
A operação de cash-and-carry combina compra à vista com venda de futuros, capturando o prêmio dos futuros sobre o preço à vista conforme os preços convergem. O spread bruto, porém, pode ser reduzido por custos de financiamento, margem, taxas e execução, o que torna imprecisa a classificação do trade como 'sem risco'.
Estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre carry de criptomoedas documentou riscos de financiamento, alavancagem, margem e liquidação que podem interromper a posição antes da convergência, mesmo quando a taxa anualizada do carry de um mês passou de 20% em 2021.
Na semana encerrada em 7 de agosto, os ETFs spot de bitcoin listados nos EUA tiveram US$ 853,54 milhões em entradas líquidas, com fluxos positivos em todas as sessões. O total, no entanto, não revela quanto da exposição à vista foi pareada com futuros vendidos.
Uma comparação citada para julho misturou dado diário com total mensal. Os ETFs de bitcoin spot receberam cerca de US$ 172 milhões em julho; somente em 21 de julho a contribuição foi de cerca de US$ 203 milhões. O valor de US$ 205 milhões citado em comparações parece mais próximo de um número diário arredondado.
Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) por categoria de trader mostram posições agregadas, mas não identificam o hedge de ETF ou de mercado à vista por trás de uma posição vendida em futuros. Não há dado no nível do trader que vincule uma compra de ETF à sua perna futura correspondente.
Se a demanda por cash-and-carry voltasse, o basis deveria superar o custo de funding após as despesas, os fluxos em ETFs persistiriam e o posicionamento na CME mostraria mais futuros vendidos. Os agregados disponíveis, porém, não comprovam que os mesmos investidores operam as duas pernas.
O bitcoin caía 0,93% nas últimas 24 horas, com valor de mercado de US$ 2,19 trilhões e volume de US$ 54,38 bilhões. A dominância do bitcoin era de 58,70%, mantendo a criptomoeda na primeira posição por capitalização.


