A Coinbase anunciou que recebeu aprovação regulatória da Autoridade de Serviços Financeiros (FSRA) do Abu Dhabi Global Market (ADGM) para atuar como hub internacional de securities tokenizadas, com autorização para organizar negócios de investimento e oferecer custódia desses ativos. A decisão, divulgada em 11 de agosto, permite à exchange levar ações tradicionais para redes blockchain fora dos Estados Unidos.

Tokenização de ações

No modelo planejado, as securities são emitidas no ADGM e respaldadas por ações subjacentes mantidas em trust. Os detentores dos tokens podem receber benefícios econômicos vinculados a essas ações, como dividendos, e podem ter direito a voto conforme as condições de cada prospecto.

A FSRA já aprovou, no início de agosto, o prospecto dos Apple CB Certificates, emitidos pela Coinbase Onchain SPV Ltd., veículo criado em junho no ADGM. Os certificados representam participações beneficiárias em ações ordinárias da Apple e servem como primeiro exemplo concreto da ponte que a Coinbase pretende construir entre papéis listados em bolsas e mercados baseados em blockchain. Estruturas semelhantes podem ser criadas para outras ações.

Acesso por carteiras digitais

Os investidores elegíveis poderão acessar as securities tokenizadas por meio de carteiras digitais, em vez de depender exclusivamente de corretoras tradicionais e de correspondentes bancários. O sistema, no entanto, não será permissionless: as transferências continuarão sujeitas a triagens de sanções, e os órgãos reguladores poderão exigir o congelamento ou a apreensão dos ativos diretamente na carteira.

Os produtos serão restritos a jurisdições elegíveis fora dos Estados Unidos. Segundo a Coinbase, o modelo pode ajudar a reduzir barreiras que excluem bilhões de pessoas dos mercados de capitais: os ativos tokenizados têm potencial para negociação praticamente ininterrupta, liquidação mais rápida e propriedade fracionada, embora os benefícios dependam de liquidez e adoção.

Estratégia nos Emirados Árabes

A licença amplia a presença da Coinbase nos Emirados Árabes Unidos. Abu Dhabi será a base das operações internacionais de tokenização e mercados de capitais onchain, enquanto Dubai permanecerá como centro da estratégia global de derivativos.

O ADGM criou em 2018 uma estrutura abrangente para ativos virtuais e segue desenvolvendo regras para integrar a atividade institucional em blockchain ao arcabouço financeiro tradicional. A Coinbase também atua na região por meio da plataforma Project Diamond, que permitiu a emissão de instrumentos de dívida digital na rede Base, e a Mubadala Capital tokenizou uma estratégia de private markets em julho, atraindo cerca de US$ 75 milhões em ativos onchain.

O próximo desafio é saber se as ações tokenizadas conseguirão desenvolver liquidez profunda no mercado secundário e operar de forma eficiente entre países. A Coinbase agora tem a base regulatória e o primeiro produto documentado. Resta saber quais ações seguirão a Apple e se as securities baseadas em carteiras conseguirão deixar o nicho internacional para se tornar um canal relevante de investimento global.

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