A Etsy anunciou na quinta-feira (22) novas regras que exigem ao menos uma fotografia não editada do produto real, sobre um fundo verdadeiro, na maioria dos anúncios publicados em seu marketplace. A medida busca impedir que imagens artificiais criem expectativas diferentes daquilo que o comprador receberá, mas não representa uma proibição geral do uso de inteligência artificial.
Pelas novas diretrizes, a fotografia obrigatória não pode ter alterações digitais, incluindo modificações de iluminação, cores ou cenário. As demais imagens do anúncio poderão continuar recebendo ajustes, inclusive por ferramentas de IA, desde que representem fielmente o produto vendido.
Isso significa que um vendedor poderá fotografar uma peça artesanal sem edição e, nas imagens complementares, utilizar recursos digitais para apresentá-la em diferentes ambientes. O que não será permitido é esconder defeitos, simular características inexistentes ou fazer o produto parecer superior ao item entregue.
James Ossman, vice-presidente de Customer Operations da Etsy, explicou que a plataforma pretende distinguir usos legítimos de ferramentas digitais daqueles que prejudicam a confiança dos compradores.
“Uma proibição generalizada das ferramentas de IA trataria esses diferentes usos como se fossem iguais”, afirmou o executivo no comunicado oficial.
Quais imagens e produtos com IA continuam permitidos?
As exigências variam conforme o tipo de mercadoria. A documentação da Etsy estabelece condições específicas para produtos físicos, digitais e personalizados.
No caso de impressão sob demanda, vendedores que aplicam seus designs originais a camisetas, canecas e outros produtos padronizados poderão utilizar imagens de demonstração, desde que tenham autorização para usar as fotografias.
Para produtos digitais, como arquivos imprimíveis e modelos gráficos, o anúncio deverá apresentar uma prévia do conteúdo efetivamente vendido. Quando o produto não tiver componente visual, imagens representativas, inclusive geradas por IA, poderão ser utilizadas sem induzir o comprador ao erro.
Já os vendedores de produtos personalizados feitos sob encomenda deverão mostrar fotografias de peças reais produzidas anteriormente, permitindo que o consumidor avalie a qualidade do trabalho.
A plataforma também continuará permitindo obras artísticas criadas com auxílio de IA quando houver participação criativa individual do vendedor. Nesses casos, o uso da tecnologia deverá ser informado na descrição, sem apresentar o resultado como uma criação inteiramente manual.
As restrições são mais rigorosas para conteúdos funcionais. Receitas, moldes de artesanato e instruções práticas geradas por IA não poderão ser comercializados como produtos desse tipo. Os vendedores deverão produzir suas próprias instruções e apresentar resultados reais obtidos com elas, em vez de depender exclusivamente de imagens simuladas.
A Etsy também proibiu anúncios e produtos produzidos integralmente por automações sem contribuição criativa humana individualizada.
A empresa informou que ampliará seus mecanismos de identificação de imagens enganosas e remoção de anúncios irregulares nos próximos meses. Inicialmente, denúncias relacionadas ao possível uso indevido de IA servirão para aprimorar os sistemas de fiscalização, sem provocar automaticamente medidas punitivas.
Vendedores que descumprirem as exigências poderão ter anúncios removidos. Caso um comprador receba um item materialmente diferente daquele apresentado, o vendedor também poderá ser responsabilizado pelo reembolso.



