O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ampliou o alcance das sanções contra o Irã e passou a incluir o setor de ativos digitais do país entre as áreas que podem levar pessoas e empresas estrangeiras a serem alvo de medidas americanas. A decisão foi anunciada na segunda-feira (24), como parte da nova operação econômica de Washington contra o governo iraniano.

Com a mudança, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) poderá sancionar pessoas ou empresas, independentemente de onde estejam localizadas, que operem ou prestem serviços de apoio ao setor iraniano de criptomoedas. A medida foi adotada com base na Ordem Executiva 13902, já usada pelos EUA para atingir outros segmentos da economia do país.

O Tesouro afirma que o Irã tem recorrido cada vez mais a criptomoedas para contornar sanções internacionais e movimentar recursos ligados à Guarda Revolucionária Islâmica e a integrantes do governo.

A decisão aumenta o risco para exchanges, intermediários, processadores de pagamentos e outros prestadores de serviços que mantenham operações relacionadas ao setor iraniano. Empresas envolvidas em lavagem de dinheiro ou evasão de sanções em benefício do país também podem perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos.

Criptomoedas entram em nova frente de pressão dos EUA

Os ativos digitais fazem parte de um conjunto de cinco setores incluídos nas novas determinações do OFAC: criptomoedas, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.

Segundo o Tesouro, as novas regras ampliam a possibilidade de aplicar sanções secundárias a agentes estrangeiros que continuem apoiando atividades econômicas iranianas nesses segmentos. A ofensiva recebeu o nome de Operation Economic Outcast.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que entidades que facilitem lavagem de dinheiro para o Irã poderão ser retiradas do sistema financeiro baseado no dólar. O governo americano também informou que está pressionando outros países a interromper atividades relacionadas ao regime iraniano dentro de prazos definidos.

Tesouro também sanciona rede ligada a ataques cibernéticos

Além da ampliação das sanções setoriais, o OFAC anunciou medidas contra quase 60 pessoas, empresas e embarcações relacionadas a redes de petróleo, aquisição de tecnologia nuclear e de mísseis e operações cibernéticas.

Entre os alvos está um grupo que, segundo o governo americano, atua sob orientação do Ministério da Inteligência e Segurança do Irã e realizou invasões contra empresas de energia, defesa, saúde, tecnologia, instituições financeiras e órgãos governamentais dos Estados Unidos.

O Tesouro afirma ainda que integrantes dessa rede também realizaram roubos de ativos digitais. Arman Kahzadian, um dos sancionados, teria obtido controle ilegal, em 2023, de uma carteira que mantinha mais de US$ 30 mil em Bitcoin.

A inclusão das criptomoedas entre os setores sujeitos às determinações da Ordem Executiva 13902 amplia a pressão americana para além das instituições diretamente localizadas no Irã. Na prática, prestadores estrangeiros que apoiem atividades enquadradas pelas autoridades dos EUA também passam a enfrentar risco de sanções e restrições de acesso ao sistema financeiro americano.

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