O Goldman Sachs anunciou na quarta-feira, 12 de agosto, um acordo para adquirir a NEOS Investments por até US$ 2,25 bilhões, negócio que inclui 19 ETFs de renda baseados em opções e um dos maiores fundos de renda em bitcoin, com US$ 1,1 bilhão em ativos.

O negócio, em dinheiro e ações, deve ser concluído no primeiro trimestre de 2027, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições habituais. Parte do pagamento depende de metas de desempenho e compromissos de serviço.

A aquisição ampliaria o negócio de US$ 40 bilhões do Goldman Sachs Asset Management em ETFs de opções voltados a renda e resultados e elevaria a plataforma global de ETFs do banco para cerca de US$ 130 bilhões, somando NEOS e Innovator Capital Management. Segundo o Goldman, a combinação tornaria o banco o oitavo maior provedor de ETFs ativos, com base em ativos de 30 de junho.

O presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que a NEOS complementa as estratégias existentes do banco de buffer, resultados gerenciados e renda, em meio ao crescimento da demanda por ETFs ativos.

Fundo BTCI e concorrência com BlackRock

O mercado mais amplo de ETFs de renda derivativa alcançou cerca de US$ 180 bilhões, com ativos crescendo a um ritmo anualizado superior a 70% desde 2021, segundo a Morningstar, citada pelo Goldman.

Entre os fundos da NEOS está o NEOS Bitcoin High Income ETF (BTCI), com US$ 1,1 bilhão em ativos líquidos em 11 de agosto. Pelo prospecto, o BTCI oferece exposição vinculada ao bitcoin sem compra direta da criptomoeda: investe por meio de ETPs de bitcoin e usa estratégia de opções que busca gerar renda mensal com a venda de opções de compra. A estratégia permite participar dos movimentos do bitcoin, abrindo mão de parte da alta em troca dos prêmios das opções.

Em 31 de julho, o BTCI registrava taxa de distribuição de 26,73% e rendimento de 30 dias (SEC) de 1,62%. O valor patrimonial líquido (NAV) caía 25,54% no ano e 41,66% em 12 meses. O pagamento de julho, de US$ 0,6458, teve estimativa preliminar de 92% de retorno de capital.

O banco já se preparava para entrar nesse segmento. Em abril, arquivou na SEC um prospecto emendado para o Goldman Sachs Bitcoin Premium Income ETF, que buscaria renda e valorização vinculada ao bitcoin por meio da venda de opções de compra ligadas a ETPs de bitcoin. O fundo proposto ainda não havia iniciado operações de investimento quando o registro foi feito.

O analista sênior de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, apontou que o BTCI permitiria ao Goldman superar o iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA), da BlackRock, recém-lançado e que gerencia cerca de US$ 60 milhões em ativos. Se a aquisição for concluída, o BTCI daria ao Goldman exposição a um fundo de renda em bitcoin quase 19 vezes maior que o da BlackRock.

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