O Google anunciou nesta quinta-feira (8) um novo agente de inteligência artificial corporativo capaz de executar tarefas utilizando tanto seus próprios modelos Gemini quanto o Claude, desenvolvido pela concorrente Anthropic. A ferramenta também poderá operar serviços de outras empresas, coordenar agentes especializados e realizar atividades que continuam em execução mesmo depois que o usuário fecha o computador.
Apresentado durante o evento Gemini at Work 2026, o sistema reúne pesquisa, produção de documentos, análise de informações e programação em uma única interface. Em vez de responder apenas a comandos isolados, o agente recebe objetivos, organiza etapas e utiliza ferramentas conectadas aos sistemas da empresa para concluir o trabalho.
A solução funciona na nuvem e mantém memória e contexto entre dispositivos. Além dos aplicativos Google Workspace, como Gmail, Docs e Sheets, pode acessar ferramentas como Microsoft 365, Slack, Salesforce e Jira, sem exigir que todas as operações ocorram dentro do ecossistema do Google.
Por que o agente do Google também utiliza modelos concorrentes
O principal diferencial está na separação entre o agente e o modelo de inteligência artificial responsável por executar cada tarefa.
Segundo o Google Cloud, o sistema poderá selecionar dinamicamente modelos Gemini ou Claude, considerando as características do trabalho. A empresa pretende ampliar futuramente essa capacidade para outros modelos proprietários e de código aberto.
A escolha também tem uma dimensão financeira. O mecanismo chamado Smart Routing direciona solicitações ao modelo considerado mais adequado em desempenho e custo. Empresas poderão estabelecer limites de gastos por projeto, com interrupção automática das operações quando o orçamento definido for atingido.
A fabricante suíça de artigos esportivos On participou dos testes iniciais dessa seleção dinâmica. O Google não divulgou, porém, uma comparação quantitativa de desempenho entre Gemini e Claude no novo agente.
Agentes com identidade própria e acesso a sistemas corporativos
Outra capacidade anunciada é a criação de subagentes especializados, que podem executar diferentes etapas de uma atividade em paralelo ou sequencialmente.
O sistema também permite criar agentes permanentes que funcionam como integrantes de uma equipe. Cada um poderá receber conta corporativa, endereço de e-mail, calendário e armazenamento próprios, além de participar de conversas e receber tarefas diretamente de funcionários.
As integrações incluem bancos de dados, plataformas empresariais e servidores compatíveis com o Model Context Protocol (MCP). O acesso será controlado por permissões específicas, enquanto as ações executadas pelos agentes poderão ser registradas para auditoria.
Apesar do anúncio, o novo Gemini agent ainda está em fase de testes privados para clientes corporativos, sem disponibilidade geral confirmada. A expansão ocorre enquanto o Google procura integrar agentes autônomos às ferramentas de produtividade e aos sistemas utilizados diariamente pelas empresas.



