A expansão global da inteligência artificial começa a enfrentar uma conta que vai além da capacidade de construir novos data centers. A Bain & Company estima que o setor precisará encontrar cerca de US$ 4,2 trilhões em novas receitas anuais até 2031 para sustentar o nível de investimento previsto, enquanto a PwC projeta US$ 31,6 trilhões em gastos acumulados com infraestrutura de IA até 2050.

A dimensão financeira da corrida foi destacada pela Reuters neste sábado (3), ao colocar lado a lado o avanço dos investimentos e a receita necessária para remunerar esse capital. A PwC calcula que os gastos anuais com data centers devem passar de aproximadamente US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,8 trilhão em 2050. No cenário de adoção mais acelerada, o investimento acumulado pode se aproximar de US$ 50 trilhões.

Grande parte desse custo não está concentrada apenas na construção das instalações. Servidores, GPUs, armazenamento e equipamentos de rede precisam ser substituídos periodicamente. Segundo a PwC, equipamentos de tecnologia representam cerca de 70% do investimento atualmente e podem chegar a 93% do total em 2050.

Bain vê lacuna de US$ 4,2 trilhões

A Bain estima que os gastos anuais com infraestrutura de IA podem chegar a US$ 1,5 trilhão em 2031. Considerando um nível de investimento equivalente a aproximadamente 25% da receita do setor, a consultoria calcula que o mercado de IA precisaria alcançar quase US$ 6 trilhões em receita anual para sustentar essa estrutura.

Produtos voltados ao consumidor, incluindo assinaturas e publicidade, poderiam gerar entre US$ 200 bilhões e US$ 400 bilhões. A adoção empresarial poderia acrescentar de US$ 1 trilhão a US$ 1,4 trilhão. Juntas, essas frentes chegariam a no máximo US$ 1,8 trilhão, deixando cerca de US$ 4,2 trilhões ainda dependentes de novos mercados e aplicações.

Entre as fontes consideradas pela Bain estão publicidade integrada a sistemas de IA, veículos e máquinas autônomas, robótica, simulações industriais, descoberta de medicamentos e desenvolvimento de novos materiais. A consultoria estima uma oportunidade de cerca de US$ 900 bilhões em IA aplicada ao mundo físico e outros US$ 400 bilhões em sistemas autônomos.

A pressão fica mais evidente quando comparada aos compromissos assumidos pelas próprias empresas. A Anthropic planeja gastar US$ 518 bilhões em tecnologia e infraestrutura nos próximos anos, de acordo com um prospecto visto pela Reuters, valor superior a 100 vezes sua receita de 2025.

O desafio também depende de quanto a tecnologia conseguirá elevar a produtividade. O JP Morgan afirmou que ganhos amplos nos Estados Unidos ainda são limitados e calculou que a produtividade americana precisaria crescer entre 3% e 5% ao ano durante uma década para sustentar, apenas como exemplo, a atual avaliação da Nvidia. A referência de longo prazo do Congressional Budget Office é de 1,75% ao ano.

Para a Bain, ganhos de eficiência nos mercados existentes não serão suficientes sozinhos. A infraestrutura está sendo construída antes da demanda necessária para utilizá la de forma economicamente sustentável, deslocando a próxima etapa da corrida da IA para a criação de produtos, serviços e mercados capazes de transformar capacidade computacional em receita.

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