A operadora australiana de data centers NextDC reduziu em A$ 140 milhões sua previsão de receita para o exercício fiscal de 2027, após atrasos nas obras necessárias para ampliar o fornecimento de energia ao complexo M3, em Melbourne. O anúncio, feito em 21 de outubro, está relacionado a dificuldades na infraestrutura elétrica, resistência de moradores e pendências de autorização.
A companhia agora projeta receita líquida entre A$ 475 milhões e A$ 500 milhões, abaixo da estimativa anterior de A$ 615 milhões a A$ 640 milhões. A previsão de EBITDA ajustado, indicador de desempenho operacional, também caiu de A$ 385 milhões a A$ 410 milhões para A$ 245 milhões a A$ 265 milhões.
A revisão provocou forte reação na Bolsa australiana. As ações da NextDC encerraram a sessão de quarta-feira (21) com queda de 41,7%, eliminando aproximadamente A$ 3 bilhões de seu valor de mercado, segundo a Reuters.
O CEO Craig Scroggie explicou que os contratos afetados foram retirados das projeções até que seja possível estimar sua contribuição financeira com segurança. A empresa ressaltou que a capacidade permanece contratada, embora o cronograma de entrega e faturamento esteja indefinido.
Postes de 15 metros provocam resistência de moradores
A ampliação do fornecimento depende de obras conduzidas pela distribuidora Jemena, que suspendeu parte dos trabalhos em setembro diante da oposição comunitária e da ausência de autorização do conselho local enquanto ocorrem novas consultas.
Segundo reportagem da ABC News, moradores de Yarraville, bairro próximo ao empreendimento, chegaram a posicionar carros e lixeiras para bloquear o acesso das equipes responsáveis pela instalação de postes elétricos de aproximadamente 15 metros de altura.
As estruturas fazem parte de uma ampliação da rede de 66 mil volts. Residentes e autoridades locais questionaram a consulta pública realizada antes das intervenções.
Durante uma apresentação a investidores, Simon Cooper, diretor de desenvolvimento do grupo NextDC, afirmou que a companhia considera alternativas, incluindo novos trajetos para os postes e a instalação de cabos subterrâneos. A segunda opção, porém, não oferece uma solução imediata.
A Jemena informou que não espera retomar os trabalhos antes de fevereiro de 2027. Com isso, a NextDC prevê que o próximo aumento de fornecimento elétrico ocorrerá somente durante seu exercício fiscal de 2028, iniciado em julho de 2027.
O empreendimento enfrenta outro obstáculo: a autorização para as etapas 6 e 7 da expansão ainda depende do governo estadual de Victoria. A companhia agora espera uma decisão apenas em 2027, após as eleições estaduais de novembro.
Os atrasos também criam riscos contratuais. Os acordos com clientes preveem compensações por capacidade entregue fora do prazo ou sem energia suficiente e, em determinadas circunstâncias, permitem rescisões. A NextDC ainda avalia a aplicação dessas cláusulas.
Como resposta, a operadora reduziu sua projeção de investimentos para A$ 4,5 bilhões a A$ 5 bilhões e suspendeu novos projetos de desenvolvimento e aquisições de terrenos por prazo indeterminado. A construção das salas de servidores nas instalações existentes do M3 continua.
A empresa apresentará uma atualização sobre sua revisão de investimentos até a assembleia anual de acionistas, marcada para 20 de novembro de 2026.



