O Sudeste Asiático já reúne 243 milhões de usuários de inteligência artificial generativa, equivalentes a 58% da população economicamente ativa considerada pelo estudo e-Conomy SEA 2026. Divulgado nesta quarta-feira (21) por Google, Temasek e Bain & Company, o relatório também projeta que a economia digital da região movimentará US$ 368 bilhões em 2026, crescimento de 17% em relação ao ano anterior.
O comércio eletrônico permanece como o principal setor desse mercado, com US$ 226 bilhões em volume bruto de mercadorias (GMV) projetado para o ano, alta de 18%. O indicador representa o valor dos produtos e serviços comercializados pelas plataformas, não a receita líquida ou o lucro das empresas.
A expansão também alcança outros segmentos. As reservas de viagens pela internet devem movimentar US$ 59 bilhões, enquanto os serviços de transporte e entrega de alimentos podem atingir US$ 40 bilhões. O estudo ainda identifica crescimento nos pagamentos digitais e na utilização de IA para pesquisar produtos, comparar preços e planejar compras.
Apesar da rápida adoção, a monetização da inteligência artificial continua limitada. Nos seis principais mercados analisados, apenas 1% a 2% da população paga por contas de IA generativa, enquanto a maioria permanece nos planos gratuitos.
Florian Hoppe, sócio da Bain & Company, destacou que a próxima etapa do mercado dependerá menos da quantidade de usuários e mais da profundidade de utilização da tecnologia. Segundo o executivo, a capacidade das empresas de incorporar IA às diferentes etapas da jornada do consumidor será determinante para ampliar seu valor econômico.
Dois negócios de centros de dados representam 76% do financiamento divulgado
O financiamento da economia digital do Sudeste Asiático alcançou US$ 21 bilhões no primeiro semestre de 2026, contra US$ 11 bilhões registrados durante todo o ano de 2025, segundo reportagem da Reuters reproduzida pelo The Business Times.
A comparação, entretanto, esconde uma concentração expressiva de capital.
Duas grandes operações relacionadas a centros de dados respondem por aproximadamente US$ 16 bilhões, ou 76% do valor divulgado. A primeira envolve a aquisição da ST Telemedia Global Data Centres, avaliada em US$ 11 bilhões. A segunda está relacionada à DayOne, com valor aproximado de US$ 5 bilhões.
Essas transações ajudam a explicar o aumento do financiamento, mas não demonstram uma expansão uniforme dos recursos disponíveis para startups e empresas de tecnologia. O volume inclui grandes negócios de infraestrutura, cujos valores não equivalem necessariamente a novos aportes destinados às operações das companhias.
O próprio levantamento apresenta um recorte mais restrito: o financiamento privado para aplicações de IA chegou a US$ 3,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, ante US$ 900 milhões no mesmo período de 2025. Essa categoria exclui centros de dados, semicondutores e empresas de IA física, evidenciando a diferença entre os universos de investimento.
A infraestrutura também será decisiva para sustentar o crescimento projetado. Google, Temasek e Bain estimam que a capacidade regional de centros de dados precisará aproximadamente triplicar nos próximos cinco anos para acompanhar a expansão esperada do consumo de inteligência artificial.
O relatório projeta que a economia digital do Sudeste Asiático poderá ultrapassar US$ 1 trilhão em GMV até 2035. Essa perspectiva, porém, depende de condições como maior utilização comercial da IA, expansão da capacidade computacional e modelos de negócio economicamente sustentáveis.



