Os copresidentes do Grupo Parlamentar de Todos os Partidos sobre Cripto e Ativos Digitais do Reino Unido, deputado trabalhista Gurinder Singh Josan e o lord Vaizey de Didcot, enviaram nesta terça-feira (11) uma carta aos presidentes-executivos dos principais bancos britânicos com perguntas sobre como tratam empresas de criptomoedas e ativos digitais.
Na carta, eles afirmam que o grupo tem ouvido 'casos repetidos' de empresas de cripto e ativos digitais com dificuldades para abrir contas em bancos do Reino Unido, além de relatos de restrições a pagamentos relacionados a cripto. Os parlamentares escrevem que o acesso a serviços bancários 'pode ser um dos maiores obstáculos ao crescimento' do setor e pode 'prejudicar o sucesso do futuro regime de cripto do Reino Unido'.
A correspondência apresenta seis perguntas: qual é a política do banco, se ele atende empresas de cripto e por que não, que limites aplica a transações com cripto, que fatores orientam essa abordagem, se o novo regime mudará essa posição e o que governo ou reguladores poderiam fazer para ajudar.
Josan e Vaizey reconhecem que os bancos têm obrigações legais de prevenir crimes financeiros e proteger consumidores, mas observam que muitas empresas argumentam que as decisões devem refletir o perfil de risco individual de cada companhia, e não o setor em que atua. Ao Financial Times, Vaizey disse que as dificuldades representam 'um atrito desnecessário' para quem decide abrir uma empresa no Reino Unido.
Restrições dos bancos
HSBC, Nationwide, NatWest, Santander e Starling reduziram pagamentos ligados a cripto nos últimos anos. Pesquisa do UK Cryptoasset Business Council, divulgada em janeiro, mostrou que os bancos bloqueavam ou atrasavam cerca de 40% das transferências tentadas para corretoras de criptomoedas.
HSBC, NatWest, Monzo e Nationwide limitam transferências mensais para corretoras de cripto a entre £5 mil e £10 mil, enquanto Starling e Chase UK proíbem esse tipo de operação. Perdas com cripto não são cobertas pelo Fundo de Compensação de Serviços Financeiros.
O Tesouro do Reino Unido já reconheceu o problema. Em março, a secretária econômica Lucy Rigby afirmou ao Parlamento que, sob o novo regime, o governo 'não esperaria' que empresas licenciadas pela FCA enfrentassem restrições dos bancos 'simplesmente por causa do setor a que pertencem'.
Inquérito e regulação
A carta ocorre após o lançamento, em 21 de julho, de um inquérito do grupo parlamentar sobre acesso bancário, que aceita contribuições por escrito até 31 de agosto antes de relatar ao governo. Os co-presidentes disseram que a carta não pretende antecipar as conclusões. A FCA finalizou suas regras para o setor em junho, com o regime se tornando obrigatório em outubro de 2027.
Em outros mercados, o chamado 'debanking' de cripto também é contestado. Nos Estados Unidos, empresas culpam uma campanha de pressão que chamam de 'Operation Chokepoint 2.0' pelo corte de relações bancárias. A exchange Kraken venceu uma ação contra um auditor que, segundo ela, a abandonou durante o episódio, recebendo US$ 22 milhões.


