Mais de 20 produtos de clareamento de pele já associados a níveis ilegais de mercúrio continuavam disponíveis na Amazon, Temu e TikTok Shop, segundo investigação publicada nesta quarta-feira (16) pela Reuters. Os anúncios foram encontrados nos Estados Unidos e, no caso da Amazon, também em França, Índia, Emirados Árabes Unidos e Bélgica.

Os produtos aparecem em listas de autoridades sanitárias e reguladores, mas nenhum dos anúncios analisados declarava mercúrio entre os ingredientes. A Reuters não realizou novos testes laboratoriais nas unidades atualmente oferecidas.

O mercúrio é usado ilegalmente em alguns clareadores por reduzir a produção de melanina. A exposição pode causar danos aos rins e ao sistema nervoso, além de problemas dermatológicos, segundo a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos.

Amazon, Temu e TikTok afirmaram que os itens identificados violam suas políticas e disseram estar tomando medidas para removê-los e agir contra os vendedores.

Vendedores driblam bloqueios com nomes e embalagens diferentes

A investigação encontrou casos em que produtos reapareceram com nomes, embalagens ou imagens diferentes. Na Índia, um creme vendido na Amazon como “Beauty Brightening Cream” ocultava na imagem o nome Chandni, produto anteriormente identificado pela FDA.

Na França, um creme recolhido pelas autoridades em 28 de agosto ainda estava disponível três dias depois na operação belga da Amazon.

O problema já havia levado a Amazon a firmar um acordo com autoridades da Califórnia em janeiro de 2025. Na investigação que originou o caso, cremes vendidos pela plataforma apresentaram concentrações entre 121 e 16.000 partes por milhão de mercúrio.

Testes divulgados pela FDA em 2026 encontraram ainda produtos com mais de 27 mil partes por milhão, enquanto cosméticos com mercúrio adicionado são proibidos pela Convenção de Minamata.

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