A Riot Platforms informou que assinou um contrato de locação de um data center de 191 megawatts (MW) com um laboratório de inteligência artificial não identificado. A empresa estima receita bruta de cerca de US$ 9,1 bilhões ao longo de um prazo base de 20 anos. Para financiar a construção, a mineradora prevê usar vendas de Bitcoin como fonte de capital e dívida de longo prazo que ainda não foi fechada.
A primeira fase do projeto, de 96 MW, deve ficar disponível em dezembro de 2027, quando começa o aluguel inicial. Os 95 MW restantes estão previstos para junho de 2028. O investimento total estimado é de US$ 2,1 bilhões a US$ 2,3 bilhões, com 80% a 90% vindos de dívida de projeto, segundo a apresentação da companhia.
Financiamento e pendências
A estrutura de capital projetada deixa entre US$ 210 milhões e US$ 460 milhões de capital próprio a ser aportado antes de um refinanciamento de US$ 180 milhões vinculado à implantação da AMD. Esse refinanciamento reduziria a necessidade de capital próprio para US$ 30 milhões a US$ 280 milhões.
A Riot obteve uma linha-ponte de US$ 573 milhões administrada pelo Morgan Stanley Senior Funding, com juros de SOFR mais 2,75% ao ano e vencimento em 15 de outubro de 2026. O documento não informa se a linha foi totalmente sacada ou se está incondicionalmente disponível. A empresa também afirma que uma garantia de crédito com grau de investimento está sendo finalizada, sem informar provedor, valor, condições ou conclusão.
Dependência de Bitcoin
A apresentação da Riot indica as vendas contínuas de Bitcoin do estoque como principal fonte de capital próprio para o data center. No fim de junho, a mineradora tinha 11.380 Bitcoins, dos quais 5.821 estavam empenhados em uma linha de crédito de US$ 200 milhões totalmente sacada com a Coinbase. Isso representa 51,2% das reservas sob restrição; 5.559 Bitcoins não estavam classificados como restritos.
No primeiro semestre de 2026, a Riot vendeu 9.665 Bitcoins por US$ 732,5 milhões. Nenhuma venda futura específica é garantida e a companhia não informou vendas adicionais após o segundo trimestre até 11 de agosto.
O custo de mineração excluindo depreciação foi de US$ 49.912 por Bitcoin no segundo trimestre, equivalente a 69,6% do valor de produção de US$ 71.667. Incluindo depreciação, o custo subiu para US$ 90.631, ou 126,5% do valor de produção. A depreciação é um custo não monetário, mas o indicador contábil mostra que o custo total superou o valor de produção no período.
O contrato prevê duas extensões controladas pelo inquilino, que podem elevar a receita bruta para cerca de US$ 16,1 bilhões, desde que ambas sejam exercidas. Até o início dos aluguéis, a Riot depende de financiamento ainda em aberto e de novas vendas de Bitcoin para completar o capital necessário.


