A Samsung recebeu uma multa provisória de 20,1 bilhões de wons (cerca de US$ 15,1 milhões) na Coreia do Sul por divulgar o desempenho de seus dispositivos Galaxy sem informar que o processamento era limitado automaticamente durante determinados jogos. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (27) pela Comissão de Comércio Justo da Coreia do Sul (KFTC).

A penalidade envolve os smartphones Galaxy S21 e S22, lançados em 2021 e 2022, e os tablets Galaxy Tab S8. Segundo o órgão regulador, a fabricante destacou a capacidade de processamento e a experiência de jogos desses aparelhos, mas omitiu restrições impostas pelo software Game Optimizing Service (GOS).

O GOS foi desenvolvido para controlar o aquecimento e o consumo de energia durante os jogos. A investigação, porém, concluiu que determinadas configurações reduziam a capacidade máxima da CPU e da GPU assim que jogos exigentes eram iniciados, independentemente da temperatura ou das condições do aparelho.

Essa limitação poderia provocar travamentos, atrasos na resposta aos comandos e redução da qualidade gráfica, segundo a KFTC.

Entre 2021 e 2022, a Samsung utilizou campanhas que enfatizavam a velocidade dos processadores e a fluidez das telas de 120 Hz. Para o regulador, a ausência de informações sobre as restrições prejudicou a capacidade dos consumidores de avaliar o desempenho real dos produtos antes da compra.

Multa foi reduzida após mudanças no software

A penalidade ficou abaixo dos valores inicialmente considerados pelos investigadores, que variavam de 32,2 bilhões a 64,4 bilhões de wons.

Na definição da sanção, a KFTC considerou que a Samsung havia adotado medidas corretivas voluntárias. Em março de 2022, após reclamações de usuários, a empresa lançou uma atualização que permitiu desativar as restrições iniciais de desempenho em jogos exigentes.

Essa correção contribuiu para reduzir a classificação de gravidade da infração e, consequentemente, o valor da multa. A decisão também inclui uma ordem para interromper práticas publicitárias consideradas enganosas.

A Samsung contestou a conclusão do regulador. A fabricante argumenta que o GOS foi concebido para evitar superaquecimento e manter uma experiência de jogo estável durante sessões prolongadas, e não para enganar consumidores.

A empresa também destacou que os processos judiciais relacionados ao caso foram encerrados sem uma decisão definitiva que reconhecesse sua responsabilidade por indenizações aos consumidores.

A Samsung informou que pretende contestar judicialmente a sanção após analisar a decisão escrita da KFTC.

A controvérsia começou em 2022, quando usuários descobriram que determinados jogos não conseguiam utilizar toda a capacidade de processamento anunciada nos dispositivos. Quatro anos depois, a decisão regulatória encerra uma etapa administrativa do caso, enquanto a contestação judicial ainda poderá definir a manutenção da penalidade.

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