A Tether informou que a KPMG emitiu opinião sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras de 2025 da Tether International, a primeira auditoria completa feita por uma das quatro maiores firmas de contabilidade do mundo. O balanço auditado aponta reservas superiores às obrigações em US$ 6,814 bilhões em 31 de dezembro de 2025.

O CEO da Tether, Paolo Ardoino, disse que a opinião da KPMG é “a melhor opinião de auditoria que um auditor independente pode emitir” e classificou o trabalho como “a maior auditoria inaugural da história das finanças”. Segundo ele, a empresa evoluiu para uma das companhias privadas mais relevantes financeiramente e a auditoria demonstra que a infraestrutura financeira e a governança acompanharam essa responsabilidade.

A auditoria chega após anos de questionamentos. Em 2021, a CFTC multou a Tether em US$ 41 milhões, concluindo que, durante uma amostra de 26 meses, a empresa tinha reservas suficientes para lastrear a USDT em apenas 27,6% dos dias. Naquele mesmo ano, o procurador-geral de Nova York fechou um acordo de US$ 18,5 milhões com Tether e Bitfinex ligado a representações sobre reservas e movimentação de fundos.

Regulamentação americana em discussão

A auditoria ocorre em um momento em que os Estados Unidos discutem novas exigências para grandes emissores de stablecoins. O GENIUS Act e a regra proposta pelo FDIC para emissores autorizados preveem reservas prescritas, segregação de ativos, gestão de risco de liquidez, divulgação pública mensal, relatórios confidenciais semanais e demonstrações auditadas anuais para emissores com mais de US$ 50 bilhões em ativos.

O menu de reservas elegíveis na proposta do FDIC inclui moeda, saldos no Federal Reserve, depósitos à vista, títulos do Tesouro de curto prazo, operações compromissadas lastreadas em Treasuries overnight e certos instrumentos do mercado monetário. O ouro, que a Tether vem ampliando em suas reservas, não está na lista, assim como bitcoin e outros criptoativos.

A proposta também define evento de resgate importante como pedidos superiores a 10% da emissão em circulação em 24 horas. Para as obrigações da Tether, estimadas em cerca de US$ 183,6 bilhões no segundo trimestre, isso equivaleria a aproximadamente US$ 18,4 bilhões em saídas em um único dia, um teste que uma auditoria anual não cobre.

Pressão no Congresso

Em fevereiro, o senador Jack Reed apresentou o Foreign Stablecoin Transparency Act, citando a Tether e o fato de ela não ter concluído auditorias por anos. A proposta exigiria que emissores estrangeiros de stablecoins também fossem auditados anualmente, fechando uma lacuna que ele diz existir no GENIUS.

A Tether descreve a auditoria da KPMG como voluntária, e nada no texto liga o timing da auditoria à legislação de Reed. A conclusão do trabalho, porém, não encerra a discussão: uma auditoria concluída é um evento único, enquanto uma exigência legal de auditoria é uma obrigação contínua.

USDT e USAT em trilhas separadas

A Tether mantém dois produtos para diferentes mercados. A USAT, lançada em janeiro e emitida pelo Anchorage Digital Bank, foi desenhada dentro do arcabouço do GENIUS. A USDT global segue como produto separado, com cerca de US$ 184,6 bilhões em circulação no fim do segundo trimestre, mais de 60% do mercado de stablecoins.

A auditoria da KPMG foi conduzida de acordo com os padrões da AICPA, enquanto o GENIUS estabelece os padrões da PCAOB como referência estatutária para auditorias anuais de grandes emissores americanos, embora a regra proposta pelo FDIC permita que entidades não listadas escolham um dos dois padrões. O regime de auditoria da Tether, porém, difere do exame recorrente e da supervisão permanente propostos pelo GENIUS.

A questão em aberto é se uma auditoria única será suficiente para os reguladores, uma vez que as reservas da USDT incluem ouro e passam por testes de estresse de resgate que a regra americana pretende monitorar continuamente.

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