A Trezor informou nesta sexta-feira (4) que o vazamento de dados envolvendo sua parceira logística ShipMonk foi muito maior do que o inicialmente identificado. Outros cerca de 67 mil clientes nos Estados Unidos tiveram informações pessoais expostas, incluindo dados de pedidos realizados entre novembro de 2019 e agosto de 2021.

Somados aos 13.689 clientes identificados quando o incidente foi divulgado em agosto, o número de pessoas afetadas chega a aproximadamente 80,7 mil. Nos novos registros encontrados estavam nome, email, telefone, endereço de entrega e número do pedido.

A ampliação do caso chama atenção principalmente pela idade dos dados. Quando anunciou o vazamento em 13 de agosto, a Trezor afirmou que sua política exigia que parceiros apagassem ou tornassem anônimas as informações dos clientes 90 dias após a entrega, o que deveria limitar a quantidade de registros disponíveis nos sistemas da ShipMonk.

Dados deveriam ter sido apagados

A nova descoberta mostra que informações de clientes de vários anos atrás continuavam armazenadas. Segundo a Trezor, durante sua relação com a ShipMonk a empresa solicitou repetidamente a exclusão dos dados e recebeu confirmações por escrito de que isso havia sido feito, de acordo com o contrato e a política de retenção estabelecida entre as companhias.

A ShipMonk informou a Trezor sobre a nova dimensão do incidente em 2 de setembro. Todos os clientes incluídos nessa nova leva já foram notificados por email, segundo a fabricante de hardware wallets. Quem não recebeu a comunicação da empresa não estaria entre os afetados.

Os sistemas da própria Trezor e seus dispositivos não foram comprometidos. O problema está nos dados de identificação associados aos pedidos, que podem facilitar golpes mais convincentes por email, telefone ou até correspondência física.

A empresa também alertou para possíveis riscos de segurança física, já que os registros expostos incluem endereços de pessoas que compraram uma carteira de criptomoedas. A orientação é desconfiar de contatos que solicitem informações pessoais e nunca fornecer o backup ou as palavras de recuperação de uma carteira.

Como resposta ao problema, a Trezor prepara um sistema de entrega anônima, com retirada em lockers, embalagem neutra e exclusão automática de identificadores após a entrega. A empresa pretende disponibilizar a modalidade inicialmente na Europa e posteriormente nos Estados Unidos.

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