Os profissionais de controle de qualidade (QA) da Activision aprovaram, em 15 de outubro, uma autorização de greve após mais de dois anos de negociações sem conseguir fechar seu primeiro contrato coletivo. O sindicato acusa a empresa, pertencente à Microsoft, de atrasar deliberadamente as discussões e não negociar de boa-fé.

A votação ocorreu às vésperas do lançamento mundial de Call of Duty: Modern Warfare 4, previsto para 23 de outubro, e dá ao presidente do Communications Workers of America (CWA), Claude Cummings Jr., autoridade para convocar uma paralisação caso as negociações continuem estagnadas. Nenhuma greve foi iniciada ou teve data anunciada.

O Activision Quality Assurance United (AQAU-CWA) representa funcionários responsáveis por testar jogos, identificar falhas e verificar sua qualidade antes do lançamento. As reivindicações incluem aumentos salariais, proteções contra o uso de inteligência artificial, regras para contratação de terceirizados e garantias de adaptações no ambiente de trabalho previstas pela legislação americana para pessoas com deficiência.

Emily Danko, integrante do comitê de negociação e testadora de QA, afirmou que a empresa continua adiando decisões sobre salários e direitos trabalhistas. Segundo ela, apesar dos esforços do sindicato, questões fundamentais permanecem sem solução.

O grupo foi formado em março de 2024, inicialmente com quase 600 trabalhadores, e iniciou as negociações em agosto daquele ano. Segundo o Kotaku, o número de integrantes caiu para pouco mais de 400 após cortes de pessoal. Atualmente, o CWA representa aproximadamente 2.500 funcionários da Activision Blizzard, distribuídos entre diferentes unidades sindicalizadas.

Activision nega acusações e propõe novas reuniões antes do lançamento

Em resposta às acusações, a Activision afirmou que negocia de boa-fé e já obteve avanços significativos em diversos pontos do contrato. A companhia ofereceu 21 e 22 de outubro como datas para retomar as conversas, imediatamente antes do lançamento mundial de Modern Warfare 4.

Em declaração ao Kotaku, a empresa também reconheceu o direito dos funcionários de participar de ações sindicais, incluindo greves, e afirmou possuir planos para evitar interrupções aos jogadores e aos próximos lançamentos.

O sindicato, porém, questiona a postura da companhia desde o encerramento, em 2025, do acordo de neutralidade sindical firmado entre Microsoft e CWA. O entendimento havia facilitado a organização de trabalhadores durante o processo de aquisição da Activision Blizzard.

A possível paralisação coincide com um período importante para a franquia Call of Duty. Modern Warfare 4 iniciou seu acesso antecipado em 16 de outubro, enquanto o lançamento completo está marcado para o dia 23. Funcionários de QA também participam da identificação de problemas e da validação de correções após a estreia.

Por enquanto, a autorização amplia a pressão sindical, mas não representa uma interrupção das operações. As reuniões propostas para os dias 21 e 22 serão a próxima oportunidade anunciada pela empresa para avançar nas negociações antes do lançamento global.

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